segunda-feira, 14 de maio de 2018

O momento do encontro histórico entre os líderes das duas Coreias


Após anos marcados por ameaças e tensões, um encontro que até alguns meses atrás parecia impensável: o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, pisou em território sul-coreano para se encontrar com o "inimigo", o presidente Moon Jae-in.

Kim e Moon deram as mãos e sorriram na fronteira que separa as duas Coreias antes da reunião de cúpula histórica.
Os dois líderes posaram juntos para fotos tanto em solo sul-coreano quanto norte-coreano. Esta foi a primeira vez na história que um líder norte-coreano cruzou a fronteira para o sul.
Após o encontro, os líderes anunciaram que trabalharão em conjunto com o objetivo de eliminar todas as armas nucleares da região e também em transformar o armisticio que interrompeu a Guerra da Coreia, em 1953, em um tratado de paz, o que encerraria de vez o conflito.
Antes do encontro, que até alguns meses atrás parecia impossível, Kim e Moon deram as mãos e sorriram na fronteira que separa as duas Coreias.
Os dois líderes posaram juntos para fotos tanto em solo sul-coreano quanto norte-coreano.
Esta foi a primeira vez na história que um líder norte-coreano cruzou a fronteira para o sul.
A agenda da cúpula estava focada na desnuclearização da região, após anos de tensão crescente por conta dos avanços do programa atômico norte-coreano e dos recentes testes nucleares e de mísseis balísticos.

A promessa de um acordo de paz permanente, também fruto do encontro, pode por um fim definitivo à guerra entre as duas Coreias, entre 1950 e 1953.
O conflito foi interrompido por um armistício e as duas Coreias seguem tecnicamente em guerra desde então, apesar da ausência de combates.
Esta não é a primeira vez que os líderes das duas Coreias se reúnem, mas é a primeira vez que o encontro ocorre na Coreia do Sul.
O pai de Kim Jong-un, Kim Jong-il, se reuniu com presidentes da Coreia do Sul em duas ocasiões: com Kim Dae-jung, em 2000, e com Roh Moo-hyun, em 2007. Os dois encontros ocorreram em Pyongyang, capital da Coreia do Norte.

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Os Estados Unidos seguem de perto o encontro desta sexta-feira na Coreia do Sul. O encontro entre os dois líderes é visto como uma preparação para um prometido encontro entre Kim e o presidente americano, Donald Trump, ainda sem data e lugar definidos.
A Casa Branca afirmou em um comunicado que espera que a reunião desta sexta signifique um progresso para "um futuro de paz e prosperidade", e manifestou que o governo americano deseja continuar as negociações para o possível encontro entre Trump e Kim "nas próximas semanas".

Fonte: BBC Brasil.


domingo, 13 de maio de 2018

Muito além da princesa Isabel, 6 brasileiros que lutaram pelo fim da escravidão no Brasil.


Ilustração brasileiros que lutaram contra a aboliçãoDireito de imagemANDRÉ VALENTE | BBC BRASIL
Image captionBatalha pela abolição já ocorria nas províncias brasileiras anos antes da assinatura da Lei Áurea, e reunia escravos, negros libertos, pessoas da classe média e da alta sociedade

O fim da escravidão no Brasil completa 130 anos em 13 de maio deste ano. Em 1888, a princesa Isabel, filha do imperador do Brasil Pedro 2º, assinou a Lei Áurea, decretando a abolição - sem nenhuma medida de compensação ou apoio aos ex-escravos.
Mas a abolição no Brasil está longe de ter sido uma benevolência da monarquia. Na verdade, foi resultado de diversos fatores, entre eles, o crescimento do movimento abolicionista na década de 1880, cuja força não podia mais ser contida.
Entre as formas de resistência, estavam grandes embates parlamentares, manifestações artísticas, até revoltas e fugas massivas de escravos, que a polícia e o Exército não conseguiam - e, a partir de certo ponto, não queriam - reprimir. Em 1884, quatro anos antes do Brasil, os Estados do Ceará e do Amazonas acabaram com a escravidão, dando ainda mais força para o movimento.
A disputa continuou no pós-libertação, para que novas políticas fossem criadas destinando terras e indenizações aos ex-escravos - o que nunca ocorreu.
Conheça abaixo as histórias de seis brasileiros protagonistas na luta pelo fim da escravidão:

Luís Gama, o ex-escravo que se tornou advogado

Luís Gonzaga Pinto da Gama nasceu em 1830, em Salvador, filho de mãe africana livre e pai branco de origem portuguesa. Quando o menino tinha quatro anos, sua mãe, Luísa, teria participado revolta dos Malês, na Bahia, pelo fim da escravidão.
Uma reviravolta ocorreu quando Gama tinha dez anos: ficou sob cuidados de um amigo do pai, que o vendeu como escravo. O menino "embarcou livre em Salvador e desembarcou escravo no Rio de Janeiro", escreve a socióloga Angela Alonso no livro Flores, Votos e Balas, sobre o movimento abolicionista. Depois, foi levado para São Paulo, onde trabalhou como escravo doméstico. "Aprendi a copeiro, sapateiro, a lavar e a engomar roupa e a costurar", escreveu o baiano.
Aos 17 anos, Gama aprendeu a ler e escrever com um estudante de direito. E reivindicou sua liberdade ao seu proprietário, afinal, nascera livre, livre era.
Em São Paulo, Gama se tornou rábula (advogado autodidata, sem diploma) e criou uma nova forma de ativismo abolicionista: entrava com ações na Justiça para libertar escravos. Calcula-se que tenha ajudado a conseguir a liberdade de cerca de 500 pessoas.

Retrato de Luís Gama, o ex-escravo que se tornou advogado de escravosDireito de imagemACERVO BIBLIOTECA NACIONAL - BRASIL
Image captionCalcula-se que Luís Gama tenha ajudado a libertar cerca de 500 escravos

Gama usava diversos argumentos para obter a alforria. O principal deles era que os africanos trazidos ao Brasil depois de 1831 tinham sido escravizados ilegalmente. Isso porque naquele ano foi assinado um tratado de proibição do tráfico de escravos. Mais de 700 mil pessoas tinham entrado no país nessas condições. Apenas em 1850 o tráfico de escravos foi abolido definitivamente.
"As vozes dos abolicionistas têm posto em relevo um fato altamente criminoso e assaz defendido pelas nossas indignas autoridades. A maior parte dos escravos africanos (...) foram importados depois da lei proibitiva do tráfico promulgada em 1831", disse Gama na época.
O advogado ainda entrou com diversos pedidos de habeas corpus para soltar escravos que estavam presos, acusados, sobretudo, de fuga. Ainda trabalhou em ações de liberdade, quando o escravo fazia um pedido judicial para comprar sua própria alforria - o que passou a ser permitido em 1871, em um dos artigos da Lei do Ventre Livre.
Luís Gama morreu em 1882, sem ver a abolição. Seu funeral, em São Paulo, foi seguido por uma multidão. "Quanto galgara Luís Gama, de ex-escravo a morto ilustre, em cujo funeral todas as classes representavam-se. Comércio de porta fechada, bandeira a meio mastro, de tempos em tempos, um discurso; nas sacadas, debruçavam-se tapeçarias, como nas procissões da Semana Santa", relata Alonso.
Na hora do enterro, alguém gritou pedindo que a multidão jurasse sobre o corpo de Gama que não deixaria morrer a ideia pela qual ele combatera. E juraram todos.

Maria Tomásia Figueira Lima, a aristocrata que lutou para adiantar a abolição no Ceará

Filha de uma família tradicional de Sobral (CE), Maria Tomásia foi para Fortaleza depois de se casar com o abolicionista Francisco de Paula de Oliveira Lima. Na capital, tornou-se uma das principais articuladoras do movimento que levou o Estado a decretar a libertação dos escravos quatro anos antes da Lei Áurea.
Segundo o Dicionário de Mulheres do Brasil, ela foi cofundadora e a primeira presidente da Sociedade das Cearenses Libertadoras que, em 1882, reunia 22 mulheres de famílias influentes para argumentar a favor da abolição.
Ao fim de sua primeira reunião, elas mesmas assinaram 12 cartas de alforria e, em seguida, conseguiram que senhores de engenho assinassem mais 72.
As mulheres conseguiram, inclusive, o apoio financeiro do imperador Pedro 2º para a iniciativa. Juntamente com outras sociedades abolicionistas da época, elas organizaram reuniões abertas com a população, promoviam a libertação de escravos em municípios do interior do Ceará e publicavam textos nos jornais pedindo a abolição em toda a província.
Maria Tomásia estava presente na Assembleia Legislativa no dia 25 de março de 1884, quando foi realizado o ato oficial de libertação dos escravos do Ceará, que deu força à campanha abolicionista no país.

Pintura da sessão parlamentar que aboliu a escravidão no Ceará, em 1884; há homens e mulheres dentro do ParlamentoDireito de imagemACERVO BIBLIOTECA NACIONAL - BRASIL
Image captionNessa pintura da sessão parlamentar que aboliu a escravidão no Ceará, em 1884, é possível ver diversas mulheres entre os homens

André Rebouças, o engenheiro que queria dar terras aos libertos

André Rebouças nasceu na Bahia, em 1838, em uma família negra, livre, e incluída na sociedade imperial. Quando jovem, estudou engenharia e começou a trabalhar na área. Foi responsável por diversas obras de engenharia importantes no país, como a estrada de ferro que liga Curitiba ao porto de Paranaguá. Conquistou posição social e respeito na corte. A Avenida Rebouças, importante via em São Paulo, é uma homenagem a André e a seu irmão Antonio, também engenheiro.
Em uma das obras de que participou, outro engenheiro pediu que Rebouças libertasse o escravo Chico, que era operário e tinha sido responsável pelos trabalhos hidráulicos. "Foi quando sua atenção recaiu sobre o assunto", escreve Angela Alonso, também em Flores, Votos e Balas. Chico foi, então, libertado.
"Sou abolicionista de coração. Não me acusa a consciência ter deixado uma só ocasião de fazer propaganda para a abolição dos escravos, e espero em Deus não morrer sem ter dado ao meu país as mais exuberantes provas da minha dedicação à santa causa da emancipação", discursou certa vez Rebouças, na presença do imperador Pedro 2º.

Retrato de André RebouçasDireito de imagemMUSEU AFRO BRASIL
Image captionAndré Rebouças era adepto de uma reforma agrária que concedesse terras para os ex-escravos

Na década de 1870, Rebouças se engajou na campanha pelo fim da escravidão. Participou de diversas sociedades abolicionistas e acabou se tornando um dos principais articuladores do movimento. Um de seus papéis foi fazer lobby - uma ponte entre os abolicionistas da elite e as instituições políticas, para quem executava obras de engenharia.
As ideias de Rebouças incluíam não apenas o fim da escravidão. Ele propunha que os libertos tivessem acesso à terra e a direitos, para serem integrados, não marginalizados. "É preciso dar terra ao negro. A escravidão é um crime. O latifúndio é uma atrocidade. (...) Não há comunismo na minha nacionalização do solo. É pura e simplesmente democracia rural", proclamou Rebouças.
O engenheiro também se opunha ao pagamento de indenização para os senhores de escravos em troca da liberdade - para Rebouças, isso seria uma forma de validar que uma pessoa fosse propriedade da outra.
Apoiador da monarquia e da família real brasileira, Rebouças foi ainda um dos responsáveis pela exaltação da Princesa Isabel como patrona da abolição.

Adelina, a charuteira que atuava como 'espiã'

Filha bastarda e escrava do próprio pai, Adelina passou a vender charutos que ele produzia nas ruas e estabelecimentos comerciais de São Luís (MA). Suas datas de nascimento e morte não são conhecidas. Seu sobrenome, também não.
Como escrava criada na casa grande, Adelina aprendeu a ler e escrever. Trabalhando nas ruas, assistia a discursos de abolicionistas e decidiu se envolver na causa.

Ilustração AdelinaDireito de imagemANDRÉ VALENTE | BBC BRASIL
Image captionComo não há registros fotográficos de Adelina, a charuteira, ilustração foi baseada em fotografias de escravas minas que viviam no Maranhão na época

De acordo com o Dicionário da Escravidão Negra no Brasil, de Clóvis Moura (Edusp), Adelina enviava à associação Clube dos Mortos - que escondia escravos e promovia sua fuga - informações que conseguia sobre ações policiais e estratégias dos escravistas.
Aos 17 anos, Adelina seria alforriada, segundo a promessa que seu senhor fez a sua mãe. Mas, segundo o Dicionário, isso não aconteceu.

Dragão do Mar, o jangadeiro que se recusou a transportar escravos para os navios

O jangadeiro e prático (condutor de embarcações) Francisco José do Nascimento (1839-1914), um homem pardo conhecido como Dragão do Mar, foi membro do Movimento Abolicionista Cearense, um dos principais da província, a primeira do Brasil a abolir a escravidão.
Em 1881, o Dragão do Mar comandou, em Fortaleza, uma greve de jangadeiros que transportavam os negros e negras escravizados para navios que iriam para outros Estados do Nordeste e para o Sul do Brasil. O movimento conseguiu paralisar o tráfico negreiro por alguns dias.

Ilustração Dragão do MarDireito de imagemANDRÉ VALENTE | BBC BRASIL
Image captionFrancisco José do Nascimento se recusou a transportar escravos das praias de Fortaleza para navios negreiros

Com o comércio de escravizados impedido nas praias do Ceará, Nascimento foi exonerado do cargo, segundo o registro de Clóvis Moura. E se tornou símbolo da batalha pela libertação dos escravos.
Depois da abolição, ele tornou-se Major Ajudante de Ordens do Secretário Geral do Comando Superior da Guarda Nacional do Estado do Ceará e morreu como primeiro-tenente honorário da Armada, em 1914.

Maria Firmina dos Reis, a primeira escritora abolicionista

A maranhense Maria Firmina (1825-1917) era negra e livre, "filha bastarda", mas formou-se professora primária e publicou, em 1859, o que é considerado por alguns historiadores o primeiro romance abolicionista do Brasil, Úrsula. O livro conta a história de um triângulo amoroso, mas três dos principais personagens são negros que questionam o sistema escravocrata.
A escritora assinava o livro apenas como "Uma maranhense", um expediente comum entre mulheres da época que se aventuravam no mercado editorial, e só agora começa a ser descoberto pelas universidades, segundo a professora de literatura brasileira da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Constância Lima Duarte.

Maria Firmina dos ReisDireito de imagemANDRÉ VALENTE | BBC BRASIL
Image captionRomance de Maria Firmina dos Reis é considerado o primeiro a trazer o ponto de vista de personagens negros no Brasil escravocrata

Maria Firmina também publicava contos, poemas e artigos sobre a escravidão em revistas de denúncia no Maranhão.
De acordo com o Dicionário de Mulheres do Brasil: de 1500 Até a Atualidade (Ed. Zahar), ela criou, aos 55 anos de idade, uma escola gratuita e mista para crianças pobres, na qual lecionava. Maria Firmina morreu aos 92 anos, na casa de uma amiga que havia sido escrava.
Fonte: BBC Brasil.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Golpe no Irã depõe Mossadegh - 1953


Em 13 de agosto de 1953, o primeiro-ministro do Irã, Mohammad Mossadegh, é demitido de suas funções por pressão dos Estados Unidos e do Reino Unido. Mossadegh, líder da Frente Nacional, aliada dos comunistas e dos religiosos, tinha nacionalizado a Anglo-Iranian Oil Company. Em represália, o general Fazlollah Zahedi, sustentado pelos anglo-americanos, derruba Mossadegh e permite ao xá Mohammad Reza Pahlevi assumir o controle absoluto do país. 

Agindo em conjunto, a CIA e o M-16, o serviço secreto britânico, arquitetaram um golpe de Estado no Irã, em 1953: a Operação Ajax. O objetivo era a derrubada do primeiro-ministro Mossadegh, o líder nacionalista que estatizara as empresas petrolíferas estrangeiras. O nacionalismo iraniano, perseguido pelo regime pró-ocidental do xá, terminou por refugiar-se nas mesquitas dos aiatolás e mulás, fazendo com que eles liderassem a revolução xiita de 1979. 

Wikicommons 
 
Mohammad Mossadegh ao lado do presidente norte-americano Harry S. Truman, em 1951 

Em princípios de junho de 1953, um agente da CIA, Kermit Roosevelt, neto do presidente Theodor Roosevelt, transpôs clandestinamente a fronteira irano-iraquiana. A missão dele, por orientação do secretário de Estado John Foster Dulles, era convencer o xá a se desfazer do "inconveniente" primeiro-ministro Mossadegh, líder do Movimento Nacional Iraniano. Tinha início a Operação Ajax, coordenada pelo agente Donald Wilber e por Norman Darbyshire, o braço do serviço secreto britânico no Irã, uma das mais célebres e bem-sucedida ações clandestinas da agência norte-americana e do M-16 britânico, deflagrada para reverter uma situação crítica aos interesses anglo-americanos no Irã. 

No dia 1º de maio de 1951, o Majlis (parlamento iraniano) aprova a nacionalização do petróleo. Da noite para o dia, a Anglo-Iranian se viu excluída do país onde reinava como um Estado à parte desde 1908. O mundo do pós-guerra, especialmente nas regiões do Terceiro Mundo, começava a ser sacudido por uma maré nacionalista, na qual povos colonizados lutavam por autonomia política e econômica, contra as poderosas corporações estrangeiras que detinham, historicamente, concessões consideradas escandalosas. 

Mossadegh, dando seqüência à política nacionalista, concedeu prazo reduzido para que a empresa retirasse seus funcionários do país. No dia marcado, foram transportados pelos navios da marinha britânica. Para muitos, a incapacidade dos ingleses, impotentes em poder responder militarmente ao que consideravam uma humilhação daquela ordem, seguida de uma desapropriação dos bens da companhia, marcou o início do fim do Império Britânico. 

Mudança 

Em 1952, o cenário político nos EUA e no Reino Unido alterou-se. Os conservadores, liderados por Winston Churchill, vencem as eleições na Inglaterra, enquanto nos EUA era eleito o general Dwight Eisenhower, candidato dos republicanos. Afinados ideologicamente, os conservadores ingleses e os republicanos americanos de imediato articularam uma solução em conjunto para intervir no Irã. 

O problema não era Mossadegh em si, mas o "mau exemplo" da sua política. Se as grandes potências ricas nada fizessem uma onda de desapropriações e nacionalizações varreria a presença dos seus interesses em boa parte do mundo. Na equação de Dulles, o nacionalismo do Terceiro Mundo era igual ao comunismo ou seu aliado tático contra as nações capitalistas. No estreito mundo de então, separado pelo maniqueísmo do "bem contra o mal" da Casa Branca, o nacionalismo de Mossadegh conduziria o Irã fatalmente para os braços de Moscou. Portanto, os republicanos equipararam o nacionalismo do Terceiro Mundo a um inimigo tão nocivo quanto o comunismo. 

Impossibilitados pela conjuntura de fazerem uma intervenção militar direta, desembarcando no Irã uma força anglo-americana, recorreram à antiga prática da ação indireta: a estratégia do cavalo de Troia. O escolhido pelos serviços secretos ocidentais para derrubar Mossadegh foi o general Zahedi. Encarregaram-no de controlar a capital, prender o ministro e reentronizar o xá colaboracionista. Não faltou sequer uma manifestação "espontânea" a favor do xá, pedindo seu retorno de Roma, onde se exilara. A passeata significou o “apoio popular" para que Zahedi colocasse as tropas na rua, depondo o primeiro-ministro sem muito esforço. Todos estes detalhes foram expostos, anos depois, em um livro que Kermit Roosevelt publicou. 

No final de agosto de 1953, tudo voltara ao status quo anterior. O xá Reza Pahlevi recuperou plenos poderes, assumindo o papel de títere dos interesses anglo-americanos no Irã, permitindo-lhes formar um consórcio para continuar explorando o petróleo iraniano. A Anglo-Iranian ainda preservou 40%; tendo que ceder à Shell 14% e, às demais outras cinco empresas norte-americanas, 8% para cada. 

Vista de longe, a Operação Ajax foi uma vitória de Pirro. Ao abortar um legítimo movimento de emancipação nacional que tinha uma proposta de livrar-se do colonialismo sem recorrer à violência, a política anglo-americana propiciou que, anos depois, das entranhas da antiquíssima sociedade iraniana, nascesse um movimento teocrático antiocidental. 

Fonte: Opera Mundi

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Como se forma o arco-íris?

Chuva ou umidade do ar favorece o belo fenômeno.

A mitologia grega diria que ele aparece sempre que a deusa Íris deixa um rastro colorido no céu, para transmitir aos homens as mensagens de Zeus, o todo-poderoso do Olimpo. A explicação científica é bem menos romântica. O arco-íris surge quando o Sol ilumina a umidade suspensa no ar, após uma chuvarada, por exemplo. Quando um raio bate na borda de uma gotinha de água ou de vapor, a luz branca do Sol é desviada e se decompõe nas sete cores que compõem seu espectro: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. É o mesmo efeito do prisma, que aprendemos na escola: cada cor é refletida em um ângulo diferente e muda de direção ao retornar para a atmosfera. A cor vermelha é a que se propaga mais rápido, formando a faixa superior do arco-íris. A violeta, a mais lenta, aparece na parte inferior.
O fenômeno é tão comum que os cientistas acumulam alguns recordes coloridos. “Em laboratório, foram observados mais de 12 arco-íris a partir de uma única gota d’água”, afirma o físico José Pedro Rino, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR).
Prisma natural
1. Dentro da gota d’água ou de vapor, o raio solar passa por uma refração – ou seja, se divide nas sete cores que compõem a luz branca
2. Cada onda colorida é desviada em um ângulo diferente, de acordo com sua velocidade de propagação.
3. Os raios coloridos são refletidos na borda do fundo da gota
4. Ao saírem da gota, os raios são desviados mais uma vez. O efeito é igual aode uma lente de aumento
5. O espetáculo acaba quando o Sol muda de posição ou quando um vento forte dissipa a umidade do ar.
Fonte: Mundo Estranho.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Eleições Cubanas - Quem são os políticos que devem suceder Raúl Castro no poder?

Depois de realizar eleições legislativas no último domingo, Cuba se prepara para dar início ao período de transição que deve culminar com a saída dos Castro do poder. Se tudo ocorrer como previsto, o líder do país não será mais um membro da família pela primeira vez desde a revolução de 1959 – que derrubou o ditador Fulgêncio Batista e instaurou o regime castrista no poder.
No dia 11 de março, cerca de 8 milhões de cubanos foram convocados a escolher, dentre uma lista de nomes previamente aprovada pelo Partido Comunista, os 605 membros da Assembleia Nacional.
Agora, o sucessor de Raúl Castro, de 86 anos – que comanda o país desde 2008, quando seu irmão, Fidel, renunciou à Presidência – será escolhido em uma reunião do novo Parlamento, marcada para 19 de abril.
Eleitores aguardam em fila para votar em CubaDireito de imagemAFP
Image caption8 milhões de cubanos foram chamados para votar no domingo
A Assembleia vai eleger um Conselho de Estado – órgão máximo do país –, cujo presidente se tornará também o chefe de Estado e de governo.
O mais cotado para o cargo é Miguel Díaz-Canel, atual vice-presidente.
Raúl Castro e outros dirigentes cubanosDireito de imagemAFP
Image captionRaúl Castro sucedeu o irmão Fidel Castro em 2008
O próximo líder terá que construir seu próprio consenso, já que não herdará a autoridade que tiveram os irmãos Castro, segundo Rafael Hernández, diretor da revista cubana Temas, alinhada com o governo.
"Isso vai levar a uma descentralização do poder", diz Hernández.
Mas afinal, quem são as principais figuras dessa nova administração?

Miguel Díaz-Canel

Miguel Díaz-CanelDireito de imagemREUTERS
Image captionMiguel Díaz-Canel é o principal cotado para substituir Raúl Castro
Engenheiro eletrônico, Díaz-Canel, de 57 anos, se tornou conhecido entre os cubanos quando foi nomeado ministro da Educação Superior em 2009.
Antes, havia trabalhado em diferentes níveis da administração castrista, dirigindo províncias estratégicas para o regime. Seu trabalho como organizador de diversos quadros do Partido Comunista lhe rendeu grandes aliados.
Entre eles, Raúl Castro – que o enxerga como um nome que trará a necessária renovação, mas também salvará o regime instaurado pela Revolução.
Raúl Castro e Díaz-CanelDireito de imagemAFP
Image captionRaúl Castro e Díaz-Canel
Em um vídeo vazado recentemente, Díaz-Canel promete medidas contra meios de comunicação com "conteúdo subversivo", o que irritou a oposição.
A blogueira de oposição Yoani Sánchez escreveu que ele é "um produto de laboratório criado pelo partido" e que é um homem "sem carisma nem vontade própria".
Hernández, da revista Temas, diz que o possível dirigente é conhecido por sua capacidade de se relacionar com o público e seu "jeito simples".
"Ele também consegue trabalhar em equipe, o que foi uma das dificuldades da era de Raúl Castro."

José Ramón Machado Ventura

José Ramón Machado VenturaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionJosé Ramón Machado Ventura é um dos líderes que pegaram em armas à época da Revolução Cubana
Ventura é um dos rostos mais conhecidos da "geração histórica" que pegou em armas com Fidel Castro para fazer a revolução em 1959. Médico, hoje com 87, ele é o segundo secretário do Partido Comunista e pode travar as desejadas mudanças.
Yoani Sánchez diz que ele "encarna a ortodoxia mais antiquada do sistema político cubano".
Não está previsto que o secretariado do partido se renove até 2021. E se a ala mais conservadora quiser barrar as mudanças, "pode haver muito conflito na elite política, caso o novo governo promova a abertura", diz Rafael Rojas, analista cubano do Centro de Pesquisa Econômica da Cidade do México.

Ramiro Valdés

Ramiro ValdésDireito de imagemAFP
Image captionRamiro Valdés é considerado um herói da Revolução Cubana
Outro nome que esteve na revolução de 1959 e continua firme e forte.
Com 86 anos, Valdés é membro da elite do Partico Comunista e do atual Conselho de Estado.
Já teve diversas responsabilidades no aparato estatal, o que fez com que se tornasse uma das figuras mais detestadas pela oposição. Foi Ministro do Interior entre 1961 e 1968 e de Comunicações entre 2005 e 2010.
O escritor cubano radicado em Miami Norberto Fuentes o vê como um possível homem forte de um processo de transição tutelada. "Não tem medo de nada e está em plena forma", afirma.

Luis Alberto Rodríguez López-Callejas

López-Callejas é uma figura misteriosa, sobre a qual quase não há informações públicas – mesmo sendo frequentemente descrito como uma das personalidades mais influentes em Cuba.
Ele não gosta de câmeras e evita se expor.
Sabe-se que ele é o comandante geral de um dos departamentos militares do país, que é membro do Comitê Central do partido que se casou com Deborah, uma das filhas de Raúl Castro.
Ele não está na Assembleia Nacional, mas gerencia o conglomerado de empresas estatais Gaesa – que vão do setor hoteleiro ao varejo e à administração de portos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, proibiu empresas americanas de fazer negócios com o grupo, em uma tentativa de barrar a aproximação do país com Cuba que havia começado na era Obama.
De acordo com Arturo López Levy, professor cubano da Universidade de Texas, "López-Callejas não está na linha da sucessão, mas é responsável pelo aparelho econômico e gerencia importantes montantes de capital", o que lhe daria grande poder.

Esteban Lazo Hernández

Juan Esteban LazoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionJuan Esteban Lazo tem papel chave na sucessão
Também veterano da revolução, Lazo tem 74 anos, é presidente da Assembleia Nacional desde 2013 e deputado desde 1981. Também é membro central do Comitê Central do Partido Comunista.
"Ele pertence a uma geração que estava no meio do caminho, que não teve a oportunidade de chegar à presidência nem a terá", diz López Levy. Mas pode desempenhar um papel com o fim da liderança dos Castro.
"Ele preside o órgão que elegerá o presidente, e pode contribuir para as diferentes gerações da liderança", diz López Levy.
López Levy também foi uma das vozes representando Castro no exterior. Em uma visita ao Vietnã em junho passado, ele afirmou que, embora possa haver mudanças, "a concentração da riqueza em mãos privadas não será permitida".
Esteban Lazo (à dir.), Raúl Castro (centro) e outros dirigentes cubanosDireito de imagemEPA
Image captionEsteban Lazo (à dir.), Raúl Castro (centro) e outros dirigentes cubanos

Bruno Rodríguez

Bruno RodríguezDireito de imagemAFP
Image captionBruno Rodríguez é ministro das Relações Exteriores
Rodríguez foi um dos principais atores da aproximação com os EUA – que voltou a empacar na era Trump.
Ex-embaixador na ONU, foi responsável pelos acordos que possibilitaram a visita de Obama a Cuba – o que o tornou uma das estrelas emergentes no país.
Nos últimos tempos, teve que gerenciar a crise dos supostos ataques contra a embaixada dos EUA em Havana.
Aos 50, é formado em direito e jovem em comparação com os veteranos da revolução. Serviu em Angola e em missões humanitárias no Haiti e no Paquistão
Participa desde 2012 do comitê central do partido. López Levy o vê como uma das figuras em ascensão e o coloca como um dos potenciais candidatos para a vice-presidência.
O que pesa contra ele, do ponto de vista do aparato de controle e segurança do governo, é o fato de ter vivido no exterior.

Josefina Vidal

Josefina Vidal.Direito de imagemAFP
Image captionJosefina Vidal também se tornou popular graças à aproximação com os EUA
Também trabalhou pela aproximação com os EUA e pela visita de Obama à Cuba em 2016.
Teve sua carreira moldada pelas difíceis relações com os Estados Unidos: liderou a Seção de Interesses Cubanos em Washington de 1999 a 2003, quando o então presidente George W. Bush expulsou um grupo de diplomatas por suas "atividades hostis".
Vidal fala francês, inglês e russo – uma característica de sua geração, de acordo com López Levy.
"É o novo lote de tecnocratas, muito mais preparado do que os líderes anteriores".
Sua boa gestão da restauração das relações com os Estados Unidos a tornou "muito popular", então sua promoção parece provável.
"Por hierarquia ela é um dos últimos membros do Comitê Central, mas não deve ser descartada como possível Ministra dos Negócios Estrangeiros".

Alejandro Castro Espín

Castro EspínDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAlejandro Castro Espín abraça o primo Antonio Castro Soto del Valle, filho de Fidel Castro, após a morte do líder cubano
Durante muito tempo, especulava-se que o sucessor de Raul seria seu único filho, Alejandro Castro Espín, de 52 anos.
Mas ele não é deputado da Assembleia Nacional, o que torna impossível que chegue legalmente à Presidência.
"Alguns pensam que Cuba é a Coreia do Norte (onde esse tipo de sucessão seria possível), mas não é", diz Hernández, da revista Temas, alinhada com o governo.
Mas isso não significa que este coronel do Ministério do Interior não tenha peso na nova distribuição de poder. Espín é o autor de numerosos artigos sobre defesa e política internacional e acompanhou o pai em suas reuniões com Obama.
De acordo com López Levy, "ele desempenha um papel cada vez mais importante em matéria de segurança e relações internacionais".
Exilados cubanos em Miami dizem que ele tem um papel central nas principais instituições de segurança do Estado.
As informações sobre sua biografia são escassas, mas acredita-se que Alejandro perdeu um olho durante sua participação nas missões militares enviadas por Cuba a Angola.

Mariela Castro Espín

Mariela CastroDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionMariela Castro ganhou notoriedade por defender a causa LGBT
Também filha de Raul Castro, Mariela é sexóloga e tem 55 anos. Ao contrário do irmão, é deputada na Assembleia, mas também já descartou a presidência.
Sua grande linha de atuação é na defesa dos direitos da comunidade LGBT, contra a qual as autoridades cubanas emitiram medidas discriminatórias controversas no passado.
Embora evite participar da linha de frente da batalha política, a sua voz é uma das mais ouvidas – e representa um raro membro do regime compromissado com a modernização.

Fonte: BBC Brasil

O momento do encontro histórico entre os líderes das duas Coreias

Após anos marcados por ameaças e tensões, um encontro que até alguns meses atrás parecia impensável: o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-...