segunda-feira, 16 de abril de 2018

Golpe no Irã depõe Mossadegh - 1953


Em 13 de agosto de 1953, o primeiro-ministro do Irã, Mohammad Mossadegh, é demitido de suas funções por pressão dos Estados Unidos e do Reino Unido. Mossadegh, líder da Frente Nacional, aliada dos comunistas e dos religiosos, tinha nacionalizado a Anglo-Iranian Oil Company. Em represália, o general Fazlollah Zahedi, sustentado pelos anglo-americanos, derruba Mossadegh e permite ao xá Mohammad Reza Pahlevi assumir o controle absoluto do país. 

Agindo em conjunto, a CIA e o M-16, o serviço secreto britânico, arquitetaram um golpe de Estado no Irã, em 1953: a Operação Ajax. O objetivo era a derrubada do primeiro-ministro Mossadegh, o líder nacionalista que estatizara as empresas petrolíferas estrangeiras. O nacionalismo iraniano, perseguido pelo regime pró-ocidental do xá, terminou por refugiar-se nas mesquitas dos aiatolás e mulás, fazendo com que eles liderassem a revolução xiita de 1979. 

Wikicommons 
 
Mohammad Mossadegh ao lado do presidente norte-americano Harry S. Truman, em 1951 

Em princípios de junho de 1953, um agente da CIA, Kermit Roosevelt, neto do presidente Theodor Roosevelt, transpôs clandestinamente a fronteira irano-iraquiana. A missão dele, por orientação do secretário de Estado John Foster Dulles, era convencer o xá a se desfazer do "inconveniente" primeiro-ministro Mossadegh, líder do Movimento Nacional Iraniano. Tinha início a Operação Ajax, coordenada pelo agente Donald Wilber e por Norman Darbyshire, o braço do serviço secreto britânico no Irã, uma das mais célebres e bem-sucedida ações clandestinas da agência norte-americana e do M-16 britânico, deflagrada para reverter uma situação crítica aos interesses anglo-americanos no Irã. 

No dia 1º de maio de 1951, o Majlis (parlamento iraniano) aprova a nacionalização do petróleo. Da noite para o dia, a Anglo-Iranian se viu excluída do país onde reinava como um Estado à parte desde 1908. O mundo do pós-guerra, especialmente nas regiões do Terceiro Mundo, começava a ser sacudido por uma maré nacionalista, na qual povos colonizados lutavam por autonomia política e econômica, contra as poderosas corporações estrangeiras que detinham, historicamente, concessões consideradas escandalosas. 

Mossadegh, dando seqüência à política nacionalista, concedeu prazo reduzido para que a empresa retirasse seus funcionários do país. No dia marcado, foram transportados pelos navios da marinha britânica. Para muitos, a incapacidade dos ingleses, impotentes em poder responder militarmente ao que consideravam uma humilhação daquela ordem, seguida de uma desapropriação dos bens da companhia, marcou o início do fim do Império Britânico. 

Mudança 

Em 1952, o cenário político nos EUA e no Reino Unido alterou-se. Os conservadores, liderados por Winston Churchill, vencem as eleições na Inglaterra, enquanto nos EUA era eleito o general Dwight Eisenhower, candidato dos republicanos. Afinados ideologicamente, os conservadores ingleses e os republicanos americanos de imediato articularam uma solução em conjunto para intervir no Irã. 

O problema não era Mossadegh em si, mas o "mau exemplo" da sua política. Se as grandes potências ricas nada fizessem uma onda de desapropriações e nacionalizações varreria a presença dos seus interesses em boa parte do mundo. Na equação de Dulles, o nacionalismo do Terceiro Mundo era igual ao comunismo ou seu aliado tático contra as nações capitalistas. No estreito mundo de então, separado pelo maniqueísmo do "bem contra o mal" da Casa Branca, o nacionalismo de Mossadegh conduziria o Irã fatalmente para os braços de Moscou. Portanto, os republicanos equipararam o nacionalismo do Terceiro Mundo a um inimigo tão nocivo quanto o comunismo. 

Impossibilitados pela conjuntura de fazerem uma intervenção militar direta, desembarcando no Irã uma força anglo-americana, recorreram à antiga prática da ação indireta: a estratégia do cavalo de Troia. O escolhido pelos serviços secretos ocidentais para derrubar Mossadegh foi o general Zahedi. Encarregaram-no de controlar a capital, prender o ministro e reentronizar o xá colaboracionista. Não faltou sequer uma manifestação "espontânea" a favor do xá, pedindo seu retorno de Roma, onde se exilara. A passeata significou o “apoio popular" para que Zahedi colocasse as tropas na rua, depondo o primeiro-ministro sem muito esforço. Todos estes detalhes foram expostos, anos depois, em um livro que Kermit Roosevelt publicou. 

No final de agosto de 1953, tudo voltara ao status quo anterior. O xá Reza Pahlevi recuperou plenos poderes, assumindo o papel de títere dos interesses anglo-americanos no Irã, permitindo-lhes formar um consórcio para continuar explorando o petróleo iraniano. A Anglo-Iranian ainda preservou 40%; tendo que ceder à Shell 14% e, às demais outras cinco empresas norte-americanas, 8% para cada. 

Vista de longe, a Operação Ajax foi uma vitória de Pirro. Ao abortar um legítimo movimento de emancipação nacional que tinha uma proposta de livrar-se do colonialismo sem recorrer à violência, a política anglo-americana propiciou que, anos depois, das entranhas da antiquíssima sociedade iraniana, nascesse um movimento teocrático antiocidental. 

Fonte: Opera Mundi

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Como se forma o arco-íris?

Chuva ou umidade do ar favorece o belo fenômeno.

A mitologia grega diria que ele aparece sempre que a deusa Íris deixa um rastro colorido no céu, para transmitir aos homens as mensagens de Zeus, o todo-poderoso do Olimpo. A explicação científica é bem menos romântica. O arco-íris surge quando o Sol ilumina a umidade suspensa no ar, após uma chuvarada, por exemplo. Quando um raio bate na borda de uma gotinha de água ou de vapor, a luz branca do Sol é desviada e se decompõe nas sete cores que compõem seu espectro: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. É o mesmo efeito do prisma, que aprendemos na escola: cada cor é refletida em um ângulo diferente e muda de direção ao retornar para a atmosfera. A cor vermelha é a que se propaga mais rápido, formando a faixa superior do arco-íris. A violeta, a mais lenta, aparece na parte inferior.
O fenômeno é tão comum que os cientistas acumulam alguns recordes coloridos. “Em laboratório, foram observados mais de 12 arco-íris a partir de uma única gota d’água”, afirma o físico José Pedro Rino, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR).
Prisma natural
1. Dentro da gota d’água ou de vapor, o raio solar passa por uma refração – ou seja, se divide nas sete cores que compõem a luz branca
2. Cada onda colorida é desviada em um ângulo diferente, de acordo com sua velocidade de propagação.
3. Os raios coloridos são refletidos na borda do fundo da gota
4. Ao saírem da gota, os raios são desviados mais uma vez. O efeito é igual aode uma lente de aumento
5. O espetáculo acaba quando o Sol muda de posição ou quando um vento forte dissipa a umidade do ar.
Fonte: Mundo Estranho.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Eleições Cubanas - Quem são os políticos que devem suceder Raúl Castro no poder?

Depois de realizar eleições legislativas no último domingo, Cuba se prepara para dar início ao período de transição que deve culminar com a saída dos Castro do poder. Se tudo ocorrer como previsto, o líder do país não será mais um membro da família pela primeira vez desde a revolução de 1959 – que derrubou o ditador Fulgêncio Batista e instaurou o regime castrista no poder.
No dia 11 de março, cerca de 8 milhões de cubanos foram convocados a escolher, dentre uma lista de nomes previamente aprovada pelo Partido Comunista, os 605 membros da Assembleia Nacional.
Agora, o sucessor de Raúl Castro, de 86 anos – que comanda o país desde 2008, quando seu irmão, Fidel, renunciou à Presidência – será escolhido em uma reunião do novo Parlamento, marcada para 19 de abril.
Eleitores aguardam em fila para votar em CubaDireito de imagemAFP
Image caption8 milhões de cubanos foram chamados para votar no domingo
A Assembleia vai eleger um Conselho de Estado – órgão máximo do país –, cujo presidente se tornará também o chefe de Estado e de governo.
O mais cotado para o cargo é Miguel Díaz-Canel, atual vice-presidente.
Raúl Castro e outros dirigentes cubanosDireito de imagemAFP
Image captionRaúl Castro sucedeu o irmão Fidel Castro em 2008
O próximo líder terá que construir seu próprio consenso, já que não herdará a autoridade que tiveram os irmãos Castro, segundo Rafael Hernández, diretor da revista cubana Temas, alinhada com o governo.
"Isso vai levar a uma descentralização do poder", diz Hernández.
Mas afinal, quem são as principais figuras dessa nova administração?

Miguel Díaz-Canel

Miguel Díaz-CanelDireito de imagemREUTERS
Image captionMiguel Díaz-Canel é o principal cotado para substituir Raúl Castro
Engenheiro eletrônico, Díaz-Canel, de 57 anos, se tornou conhecido entre os cubanos quando foi nomeado ministro da Educação Superior em 2009.
Antes, havia trabalhado em diferentes níveis da administração castrista, dirigindo províncias estratégicas para o regime. Seu trabalho como organizador de diversos quadros do Partido Comunista lhe rendeu grandes aliados.
Entre eles, Raúl Castro – que o enxerga como um nome que trará a necessária renovação, mas também salvará o regime instaurado pela Revolução.
Raúl Castro e Díaz-CanelDireito de imagemAFP
Image captionRaúl Castro e Díaz-Canel
Em um vídeo vazado recentemente, Díaz-Canel promete medidas contra meios de comunicação com "conteúdo subversivo", o que irritou a oposição.
A blogueira de oposição Yoani Sánchez escreveu que ele é "um produto de laboratório criado pelo partido" e que é um homem "sem carisma nem vontade própria".
Hernández, da revista Temas, diz que o possível dirigente é conhecido por sua capacidade de se relacionar com o público e seu "jeito simples".
"Ele também consegue trabalhar em equipe, o que foi uma das dificuldades da era de Raúl Castro."

José Ramón Machado Ventura

José Ramón Machado VenturaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionJosé Ramón Machado Ventura é um dos líderes que pegaram em armas à época da Revolução Cubana
Ventura é um dos rostos mais conhecidos da "geração histórica" que pegou em armas com Fidel Castro para fazer a revolução em 1959. Médico, hoje com 87, ele é o segundo secretário do Partido Comunista e pode travar as desejadas mudanças.
Yoani Sánchez diz que ele "encarna a ortodoxia mais antiquada do sistema político cubano".
Não está previsto que o secretariado do partido se renove até 2021. E se a ala mais conservadora quiser barrar as mudanças, "pode haver muito conflito na elite política, caso o novo governo promova a abertura", diz Rafael Rojas, analista cubano do Centro de Pesquisa Econômica da Cidade do México.

Ramiro Valdés

Ramiro ValdésDireito de imagemAFP
Image captionRamiro Valdés é considerado um herói da Revolução Cubana
Outro nome que esteve na revolução de 1959 e continua firme e forte.
Com 86 anos, Valdés é membro da elite do Partico Comunista e do atual Conselho de Estado.
Já teve diversas responsabilidades no aparato estatal, o que fez com que se tornasse uma das figuras mais detestadas pela oposição. Foi Ministro do Interior entre 1961 e 1968 e de Comunicações entre 2005 e 2010.
O escritor cubano radicado em Miami Norberto Fuentes o vê como um possível homem forte de um processo de transição tutelada. "Não tem medo de nada e está em plena forma", afirma.

Luis Alberto Rodríguez López-Callejas

López-Callejas é uma figura misteriosa, sobre a qual quase não há informações públicas – mesmo sendo frequentemente descrito como uma das personalidades mais influentes em Cuba.
Ele não gosta de câmeras e evita se expor.
Sabe-se que ele é o comandante geral de um dos departamentos militares do país, que é membro do Comitê Central do partido que se casou com Deborah, uma das filhas de Raúl Castro.
Ele não está na Assembleia Nacional, mas gerencia o conglomerado de empresas estatais Gaesa – que vão do setor hoteleiro ao varejo e à administração de portos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, proibiu empresas americanas de fazer negócios com o grupo, em uma tentativa de barrar a aproximação do país com Cuba que havia começado na era Obama.
De acordo com Arturo López Levy, professor cubano da Universidade de Texas, "López-Callejas não está na linha da sucessão, mas é responsável pelo aparelho econômico e gerencia importantes montantes de capital", o que lhe daria grande poder.

Esteban Lazo Hernández

Juan Esteban LazoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionJuan Esteban Lazo tem papel chave na sucessão
Também veterano da revolução, Lazo tem 74 anos, é presidente da Assembleia Nacional desde 2013 e deputado desde 1981. Também é membro central do Comitê Central do Partido Comunista.
"Ele pertence a uma geração que estava no meio do caminho, que não teve a oportunidade de chegar à presidência nem a terá", diz López Levy. Mas pode desempenhar um papel com o fim da liderança dos Castro.
"Ele preside o órgão que elegerá o presidente, e pode contribuir para as diferentes gerações da liderança", diz López Levy.
López Levy também foi uma das vozes representando Castro no exterior. Em uma visita ao Vietnã em junho passado, ele afirmou que, embora possa haver mudanças, "a concentração da riqueza em mãos privadas não será permitida".
Esteban Lazo (à dir.), Raúl Castro (centro) e outros dirigentes cubanosDireito de imagemEPA
Image captionEsteban Lazo (à dir.), Raúl Castro (centro) e outros dirigentes cubanos

Bruno Rodríguez

Bruno RodríguezDireito de imagemAFP
Image captionBruno Rodríguez é ministro das Relações Exteriores
Rodríguez foi um dos principais atores da aproximação com os EUA – que voltou a empacar na era Trump.
Ex-embaixador na ONU, foi responsável pelos acordos que possibilitaram a visita de Obama a Cuba – o que o tornou uma das estrelas emergentes no país.
Nos últimos tempos, teve que gerenciar a crise dos supostos ataques contra a embaixada dos EUA em Havana.
Aos 50, é formado em direito e jovem em comparação com os veteranos da revolução. Serviu em Angola e em missões humanitárias no Haiti e no Paquistão
Participa desde 2012 do comitê central do partido. López Levy o vê como uma das figuras em ascensão e o coloca como um dos potenciais candidatos para a vice-presidência.
O que pesa contra ele, do ponto de vista do aparato de controle e segurança do governo, é o fato de ter vivido no exterior.

Josefina Vidal

Josefina Vidal.Direito de imagemAFP
Image captionJosefina Vidal também se tornou popular graças à aproximação com os EUA
Também trabalhou pela aproximação com os EUA e pela visita de Obama à Cuba em 2016.
Teve sua carreira moldada pelas difíceis relações com os Estados Unidos: liderou a Seção de Interesses Cubanos em Washington de 1999 a 2003, quando o então presidente George W. Bush expulsou um grupo de diplomatas por suas "atividades hostis".
Vidal fala francês, inglês e russo – uma característica de sua geração, de acordo com López Levy.
"É o novo lote de tecnocratas, muito mais preparado do que os líderes anteriores".
Sua boa gestão da restauração das relações com os Estados Unidos a tornou "muito popular", então sua promoção parece provável.
"Por hierarquia ela é um dos últimos membros do Comitê Central, mas não deve ser descartada como possível Ministra dos Negócios Estrangeiros".

Alejandro Castro Espín

Castro EspínDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAlejandro Castro Espín abraça o primo Antonio Castro Soto del Valle, filho de Fidel Castro, após a morte do líder cubano
Durante muito tempo, especulava-se que o sucessor de Raul seria seu único filho, Alejandro Castro Espín, de 52 anos.
Mas ele não é deputado da Assembleia Nacional, o que torna impossível que chegue legalmente à Presidência.
"Alguns pensam que Cuba é a Coreia do Norte (onde esse tipo de sucessão seria possível), mas não é", diz Hernández, da revista Temas, alinhada com o governo.
Mas isso não significa que este coronel do Ministério do Interior não tenha peso na nova distribuição de poder. Espín é o autor de numerosos artigos sobre defesa e política internacional e acompanhou o pai em suas reuniões com Obama.
De acordo com López Levy, "ele desempenha um papel cada vez mais importante em matéria de segurança e relações internacionais".
Exilados cubanos em Miami dizem que ele tem um papel central nas principais instituições de segurança do Estado.
As informações sobre sua biografia são escassas, mas acredita-se que Alejandro perdeu um olho durante sua participação nas missões militares enviadas por Cuba a Angola.

Mariela Castro Espín

Mariela CastroDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionMariela Castro ganhou notoriedade por defender a causa LGBT
Também filha de Raul Castro, Mariela é sexóloga e tem 55 anos. Ao contrário do irmão, é deputada na Assembleia, mas também já descartou a presidência.
Sua grande linha de atuação é na defesa dos direitos da comunidade LGBT, contra a qual as autoridades cubanas emitiram medidas discriminatórias controversas no passado.
Embora evite participar da linha de frente da batalha política, a sua voz é uma das mais ouvidas – e representa um raro membro do regime compromissado com a modernização.

Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 5 de março de 2018

Quais são as cinco economias que mais devem crescer em 2018?

Uma década após a eclosão da crise financeira que abalou o mundo, a economia global começou a se recuperar, e muitos países emergentes e em desenvolvimento estão liderando esse processo.
O crescimento ganha força à medida que os investimentos e o consumo privado se consolidam, particularmente nas economias exportadoras de produtos básicos", disse o Banco Mundial em seu relatório sobre as perspectivas da economia mundial.
Nesse panorama, surgem quatro países africanos e um asiático à frente: Gana, Etiópia, Costa do Marfim, Djibuti e Índia. Por que esses países estão na dianteira do crescimento, em termos percentuais?
"Por diferentes razões, ainda que o gasto público tenha um papel importante em muitos casos", responde Carlos Arteta, economista-chefe do Grupo de Perspectivas Globais de Desenvolvimento do Banco Mundial.
Países que mais crescerão em 2018PIB (em %)
Gana8,3
Etiópia8,2
Índia7,3
Costa do Marfim7,2
Djibuti7
Fonte: Banco Mundial
"Etiópia, Costa do Marfim e Djibuti estão se beneficiando de investimentos em infraestrutura para impulsionar seu crescimento."
Além disso, essas economias, por serem menores do que outras mais estabelecidas, têm mais espaço para um crescimento percentual maior.

O rápido crescimento da Índia

O único país não-africano do topo da lista é a Índia, um gigante sul-asiático que pode se tornar a terceira economia mundial, depois de China e Estados Unidos, na próxima década.
Sua população cresce rapidamente, e as reformas implementadas pelo governo de Narendra Modi, no poder desde 2014, devem dar frutos a médio prazo, segundo economistas.
A principal reforma é a tributária - a maior da história do país, que no ano passado unificou diversos impostos em um só, o Imposto sobre Bens e Serviços (GST, na sigla em inglês). Empresas e contribuintes reclamaram de confusão e caos durante sua implementação, mas o governo e alguns analistas afirmam que ela vai facilitar o planejamento tributário, elevar a base de arrecadação e aumentar o crescimento do país.
"A Índia está experimentando um forte aumento no consumo privado e público, e o investimento também se recuperou após um período em marcha lenta", diz Arteta.
Linha de trem em Addis AbabaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA Etiópia é um dos países que estão se beneficiando de investimentos em infraestrutura para impulsionar seu crescimento
Ainda assim, persistem dúvidas sobre a queda na taxa de investimento do país. Os especialistas estimam que, se ela se mantiver em 30%, é pouco provável que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça mais de 8% ao ano.
Mas é claro que sustentar um crescimento anual de 7% a 8% seria o sonho de muitos países. Na América Latina, por exemplo, as estimativas apontam para um crescimento médio de 2% neste ano. No Brasil, o mais recente boletim Focus, elaborado pelo Banco Central com base em análises de mercado, estima em 2,89% o aumento do PIB em 2018.
E, no caso dos países desenvolvidos, que iniciaram seu processo de desenvolvimento há várias décadas, as expectativas de crescimento percentual estão em outro patamar, mais modesto. Basta ver o caso dos Estados Unidos, que cresceu 1,5% em 2016 e 2,3% em 2017 - a previsão é de que cresça 2,5% neste ano.
Rua em GanaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionGana será o país que mais vai crescer neste ano, segundo o Banco Mundial
A Índia também enfrenta outros desafios, como, por exemplo, reduzir os custos e a burocracia para fazer negócios, além de integrar mais crianças ao sistema escolar, algo que terá um impacto direto na qualidade da mão de obra no futuro.

Saindo da crise

Gana, considerado um dos países mais estáveis da África Ocidental, deve ser o que terá o maior crescimento no mundo em 2018, segundo o Bando Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Após ficar independente do Reino Unido na década de 1950, o país conseguiu estabelecer um regime democrático no início da década de 1990. Até pouco tempo atrás, era considerado um modelo de crescimento econômico no continente, cuja riqueza provinha historicamente do ouro e do cacau e, mais recentemente, do petróleo e do gás.
Mas, a partir de 2013, sua economia foi ladeira abaixo, e Gana teve de enfrentar uma crise que a levou a ter altos níveis de déficit público e inflação e um enfraquecimento de sua moeda. No entanto, no último ano, a situação mudou.
"O robusto crescimento de Gana é motivado pela crença de que sua produção petrolífera crescerá, à medida que novos campos entram em funcionamento" diz Arteta.
Seu atual presidente, Nana Akufo-Addo, há quase um ano no poder, deu início a uma série de reformas para impulsionar a recuperação econômica, uma tarefa hercúlea, considerando que ele assumiu o comando de um país arruinado.
Com as reformas, o presidente busca estimular o setor privado, estabilizar a moeda local, reduzir o custo do crédito, baixar impostos, modernizar a agricultura e definir uma política industrial.
No caso dos três outros países africanos com perspectivas de maior crescimento percentual, o Banco Mundial traça diferentes panoramas.
A Etiópia, diz o relatório, está colhendo os frutos de grandes investimentos em irrigação, transporte e energia, os quais lhe renderam ganhos de produtividade na produção agrícola, importante fonte de receita nas exportações do país.
Mas o crescimento etíope deve ser contido em breve, por conta de medidas do governo para conter a dívida pública - o que, por sua vez, deve restringir os gastos públicos.
A Costa do Marfim, por sua vez, ainda tem seu crescimento atrelado em grande parte aos gastos do governo. Já Djibouti deve crescer na esteira de investimentos externos - sobretudo chineses - em obras de infraestrutura.

Fonte : BBC Brasil