terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Hoje na História: 1804 – Ocorre a primeira viagem de uma locomotiva a vapor.


Em 21 de fevereiro de 1804 ocorre em Pen-y-Darren, no País de Gales, a primeira viagem de um trem a vapor.
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A locomotiva tinha sido concebida pelo engenheiro de minas Richard Trevithick, apaixonado pela motorização a vapor. Naquele dia, tracionou dez toneladas de ferro e 60 pessoas acomodadas em cinco vagões. O trajeto possuía 16 quilômetros e foi cumprido em quatro horas e cinco minutos.
A ideia de fazer circular cargas pesadas sobre trilhos remonta às primeiras explorações mineiras.
Desde a Idade Média, os exploradores perceberam que os carros de produtos pesados sofriam menos resistência à frição quando rolavam sobre trilhos. Inicialmente, os trilhos eram de madeira e os veículos puxados a cavalo.
Com o desenvolvimento da metalurgia, os trilhos de madeira foram sendo substituídos paulatinamente pelos trilhos de ferro, o que melhorava bastante o desempenho da tração.
No País de Gales, onde as fundições fabricavam produtos pesados, o transporte sobre via férrea parecia ser a solução ideal. Restava o problema da tração: deveria se limitar a carros puxados por animais?
A invenção da máquina a vapor por James Watt em 1776 e os primeiros aparelhos movidos a vapor deixavam antever soluções mais eficazes.
Samuel Homfray, proprietário de fundições em Penydaren, desafiou seu amigo Richard Trevithick a construir uma máquina capaz de tracionar 10 toneladas.
Foi assim que concebeu a primeira locomotiva a vapor, com uma caldeira sobre uma carreta. O vapor sob pressão acionava um pistão que fazia girar uma grande roda exterior. Trevithick, todavia, deixou de explorar seu invento, permitindo que outros a explorassem e a industrializassem.
Em 1825, é inaugurada a linha Stockton & Darlington, em Midlands. Tratava-se das ferrovias mineiras com seus cavalos e máquinas a vapor fixas transpostos para ambientes abertos. Além de transportar carvão, também levava passageiros.
Esta linha, bastante rústica, foi uma experiência fundamental para a construção de uma primeira linha ferroviária comercial ligando Liverpool a Manchester.
Para este grande projeto, organizou-se um concurso com uma recompensa de 500 libras esterlinas. O objetivo era selecionar um projetista capaz de fazer rodar sobre trilhos uma máquina de menos de seis toneladas a uma velocidade de 16km/h.
Entre os concorrentes, a máquina de Timothy Hackmorth atinge a velocidade de 30km/h. Seu construtor era um engenheiro que trabalhava na linha da Stockton & Darlington. Infelizmente, no dia do concurso, sua máquina passou por diversas panes, conseguindo, de qualquer forma, tracionar 19 toneladas ao longo de 36 quilômetros a uma velocidade de 22km/h.
Finalmente Georges Stephenson e seu filho Robert é que ganham o prêmio com sua locomotiva The Rocket (O Foguete), mais eficaz e engenhosa, dotada de algumas artimanhas técnicas emprestadas da versão de Hackmorth.
Tinha a aparência tradicional das locomotivas a vapor conhecidas na época, com uma caldeira horizontal, uma fornalha atrás e a chaminé à frente. Sua caldeira tubular multiplicava por quatro a produção de vapor em relação às caldeiras simples. Um recipiente contendo água e o carvão estavam atrelados na traseira da locomotiva. Com pouco mais de quatro toneladas rodava até 56km/h.
Stephenson forneceu as primeiras locomotivas da linha Liverpool-Manchester, o que fez cair pela metade o preço das mercadorias vendidas em Manchester. A ferrovia tornou-se bastante rentável. O sucesso foi tal que Stephenson não conseguia mais atender aos pedidos.
Em 1835, as locomotivas fabricadas por Sharp & Roberts já ultrapassavam a barreira dos 100 km/h. A despeito da necessidade de investimentos importantes, os promotores das estradas de ferro auferiam lucros colossais, tanto no transporte de mercadorias quanto no de passageiros. 
Fonte: Opera Mundi.

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