quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Hoje na História: 1940 - "E o vento levou" é agraciado com oito Oscars


No dia 29 de fevereiro de 1940, o filme E o Vento Levou foi agraciado com oito Oscars pela Academia Americana de Cinema, Artes e Ciências. Romance épico do Sul dos EUA, ambientado durante os duros anos da Guerra Civil, a película colheu os prestigiosos prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Cinematografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Edição e Melhores Atrizes.
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No entanto, o prêmio mais importante daquela noite foi sem dúvida o de Melhor Atriz Coadjuvante conferido a Hattie McDaniel por sua interpretação de Mammy, uma empregada doméstica e ex-escrava. Ela foi a primeira afro-americana a ser premiada com um Oscar.
Nascida em Wichita, Kansas, em 1895, McDaniel demonstrou seus talentos como cantora e atriz enquanto vivia em Denver, Colorado. Abandonou os estudos ainda adolescente para participar de diversos grupos de menestréis itinerantes. Em 1924, tornou-se uma das primeiras mulheres afro-americanas a cantar na rádio dos EUA.
Com a eclosão da Grande Depressão, viu-se obrigada a trabalhar como atendente em banheiro feminino num clube de Milwaukee. O clube, que contratava apenas artistas brancos, finalmente abriu uma exceção permitindo que cantasse. Lá, se apresentou durante um ano antes de voltar sua atenção para Hollywood.
Em Los Angeles, ganhou um pequeno papel num show da rádio local chamado “The Optimistic Do-Nuts”. Pouco demorou para que se tornasse a principal atração do programa.
Em 1932, fez sua estreia na tela como uma empregada doméstica em Destino Rubro. Nos filmes norte-americanos da época, a participação de atores e atrizes afro-americanos era limitada a papeis de empregados. McDaniel aparentemente aceitou esse estereótipo, desempenhando papel de arrumadeira ou cozinheira em cerca de 40 filmes nos anos 1930.
Respondendo às críticas de entidades como a Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (Association for the Advancement of Colored People - NAACP) de que ela estaria perpetuando os estereótipos, McDaniel declarou que era melhor atuar como empregada no cinema do que ser uma delas na vida real. Além do mais, com frequência subvertia a ideia do estereótipo, transformando as empregadas em personagens de mentalidade independente e atrevida, que, por vezes, deixava as platéias brancas e em situação pouco confortável.
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Dirigido por Victor Fleming e baseado no popular romance de Margaret Mitchell demesmo título, E o Vento Levou é considerado a maior bilheteria de todos os tempos. Embora tenha sido agraciada com o Oscar, liberais afro-americanos criticaram-na acerbamente por aceitar um papel em que seu personagem, uma ex-escrava, fala nostalgicamente do Velho Sul.
A carreira cinematográfica de McDaniel entrou em declínio no final dos anos 1940. Em 1947, retornou ao rádio como estrela do The Beulah Show. No programa, novamente retrata uma eufórica empregada sulista, porém com marcado comportamento anti-estereótipo que ganhou elogios do NAACP. Em 1951, enquanto filmava os primeiros episódios de uma versão televisiva do popular show, foi vítima de um ataque cardíaco.
Recuperou-se para fazer alguns outros programas de rádio, mas, em 1952, morreu de câncer de mama, aos 57 anos.
Fonte: Opera Mundi.

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