domingo, 26 de fevereiro de 2012

Hoje na História: 1990 - Sandinistas são derrotados. em eleição presidencial da Nicarágua


No dia 26 de fevereiro de 1990, um ano após concordar com eleições livres, o governo nicaraguense da FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional) perde o pleito e encerra mais de uma década de pressões dos EUA sobre o governo sandinista.
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Os sandinistas chegaram ao poder em 1979 com a deposição do longevo ditador Anastácio Somoza. Desde o princípio, Washington se opôs expressamente ao novo regime devido a sua orientação marxista. Os sandinistas então não tiveram outra saída senão recorrer ao bloco socialista em busca de auxílio econômico e reforço militar.
Em 1981, o presidente Ronald Reagan aprovou um discreto apoio de seu país aos chamados Contras, rebeldes anti-sandinistas baseados principalmente em Honduras e na Costa Rica. Esse auxílio persistiu durante a maior parte do mandato de Reagan, até que a opinião pública tomasse conhecimento dos crimes e abusos cometidos pelo grupo e pressionasse o Congresso norte-americano para que cortasse essa linha de financiamento.
Daniel Ortega, presidente nicaraguense, encontrou-se em 1989 com os presidentes de El Salvador, Costa Rica, Honduras e Guatemala para redigir um plano de paz definitiva para a nação. O presidente concordou com eleições livres no prazo de um ano em troca da promessa de que todas os países presentes fechariam as bases Contras instaladas em seus territórios.
Ortega e os sandinistas amargariam uma contundente derrota nessas eleições. Violeta Barrios de Chamorro, viúva de um editor de jornal assassinado durante a ditadura de Somoza, obteve 55% dos votos e a oposição conquistou a maioria da Assembleia Nacional.
A eleição de Chamorro traduziu o descontentamento da população nicaraguense com os dez anos de sandinismo: uma década marcada por conflitos brutais com os Contras e pela deterioração da economia nacional e do bem-estar social.
Os EUA viam a vitória de Chamorro como uma prova do sucesso de seu apoio financeiro e militar aos Contras. Muitos analistas ligaram essa derrota eleitoral à derrocada do bloco socialista na Europa Oriental durante aquele período. Críticos das relações de Washington com a Nicarágua replicavam que as negociações entre os presidentes da América Central haviam frutificado em eleições livres que os EUA não conquistaram em uma década de ingerência.
Na esteira das eleições, o governo do presidente George Bush anunciou o fim do bloqueio norte-americano contra a Nicarágua, prometendo nova assistência econômica. Embora corressem rumores de que o exército e as forças de segurança controlados pelos sandinistas não aceitariam Chamorro, a candidata vitoriosa tomou posse sem qualquer incidente.
Os sandinistas, no entanto, continuaram a desempenhar um destacado papel na política nicaraguense. Tanto que retomariam o poder nas eleições gerais de 2006, quando Daniel Ortega foi eleito presidente com 38,7% dos votos, após 16 anos de governos oposicionistas. Em 2011, seria reeleito com larga maioria.
Fonte: Opera Mundi.

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