domingo, 19 de fevereiro de 2012

Hoje na História: 1997 – Morre o líder chinês Deng Xiaoping.


“Não importa se um gato é preto ou branco, contanto que ele cace os ratos”
Morre em 19 de fevereiro de 1997, aos 92 anos, o célebre líder chinês Deng Xiaoping. Vinha sofrendo de uma delicada saúde e tinha sido visto em público pela última vez havia três anos.
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A agência oficial de notícias do país disse que sua morte foi resultado do estágio avançado do mal de Parkinson, agravada com complicações pulmonares que impediram um tratamento emergencial.
Embora estivesse oficialmente afastado do poder, nenhuma decisão importante era tomada sem a aprovação de Deng Xiaoping. Era conhecido internacionalmente como o líder que esmagou os protestos da Praça da Paz Celestial em 1989, mas também o homem que comandou a China nas grandes reformas econômicas.
Deng Xiaoping nasceu na província de Sichuan, em 1904, e tornou-se membro do Partido Comunista Chinês enquanto estudava na França, entre 1920 a 1925. Veterano da Longa Marcha, foi eleito para o Comitê Central em 1945. Chamado a Pequim, ascendeu rapidamente aos escalões mais altos, sendo eleito para o Politburo em 1956. Pragmático, trabalhou com Liu Shaoshi após o Grande Salto À Frente, plano de fortalecimento da economia.
Na Revolução Cultural, foi rotulado de “condutor capitalista número dois”. Liu era o primeiro. Expurgado, trabalhou numa fábrica de tratores em 1966. Foi reconduzido no partido por Chu Enlai em 1973. Implementou com entusiasmo as Quatro Modernizações de Enlai – a da agricultura, da indústria, da tecnologia e do setor militar. Com a morte de seu superior em 1976, Deng foi novamente afastado.
Em 1977, voltaria a ser o segundo homem na hierarquia governamental, bem como o segundo secretário do Partido Comunista. Dois anos depois, visitou os EUA em busca de um estreitamento de laços diplomáticos. Em grande parte da década de 1980, foi o líder máximo do Partido e chefe da Comissão Militar, assim como da recém criada Comissão Consultiva Central.
Embora não ostentasse oficialmente qualquer posto nos mais altos escalões, Deng tornou-se o mais poderoso líder chinês desde Mao Tse Tung. Em 1981, fortaleceu sua liderança ao substituir Hua Guofeng como secretário-geral do Partido pelo seu seguidor, Hu Yaobang. Quando Hu foi obrigado a deixar o poder, outro partidário de Deng, Zhao Ziyang, assumiu a chefia do partido. Mais tarde, quando o próprio Zhao foi afastado, um terceiro próximo de Deng, Jiang Zemin, assumiu as rédeas do partido.
Deng buscou afrouxar o controle governamental sobre a economia, mas, ao mesmo tempo, insistiu no controle partidário estrito sobre a política e o governo. Renunciou ao seu último posto no partido em 1989, designando Jiang Zemin como seu sucessor.
O pragmatismo de Deng na economia pode ser resumido em dois slogans célebres da época - "socialismo com características chinesas" e "economia socialista de mercado". Para ilustrar o passado comunista com o futuro e para valorizar os sacrifícios do passado com uma nova China próspera, adotou um outro slogan: "Pobreza não é socialismo. Ser rico é glorioso".
As reformas de Deng tinham o objetivo de acelerar o processo de modernização da economia nem que, para isso, fosse necessário importar capitais, equipamentos e expertise estrangeira.
Deng fechou e consolidou o ciclo das reformas econômicas com a criação de Zonas Econômicas Especiais, espaços territoriais onde eram concedidas condições diferenciadas para a fixação de capitais estrangeiros e onde existia alguma liberalização ocidental no funcionamento do mercado. Isso propiciou a atração dos capitais estrangeiros necessários para a acumulação de capital e conhecimento.
As cinco ZEE’s criadas por Deng foram Shenzhen (ao lado de Hong Kong), Zhuhai (próxima de Macau), Shantou (outra cidade costeira na Província de Cantão), Xiamen (no sul da Província de Fujian) e toda a Província de Hainão (uma ilha no Sul da China).
Fonte: Opera Mundi.

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