domingo, 26 de fevereiro de 2012

Hoje na História: Marx e Engels publicam o Manifesto Comunista


Em 26 de fevereiro de 1848, foi publicado pela primeira vez em alemão o Manifest der Kommunistischen Partei (Manifesto do Partido Comunista), um dos mais influentes documentos políticos da História. Assinado por Karl Marx e Friedrich Engels, tornou-se nos primeiros tempos do movimento social-democrata na Europa seu principal instrumento teórico e de ação. Pouco demorou para ser traduzido para os mais diversos idiomas e ser largamente difundido em todo o mundo. 

Neste manifesto, divulgou-se extensamente, porém de maneira simples, as concepções de seus autores no campo da história e da filosofia. O documento deu especial destaque à análise histórica da luta de classes e aos problemas do capitalismo na época de sua publicação. 

Interessante notar que no prefácio à edição em alemão de 1972, os próprios autores afirmavam que os princípios gerais desenvolvidos no Manifesto conservam, grosso modo, ainda hoje a sua plena correção. A aplicação prática destes princípios — o próprio Manifesto declara — dependerá sempre e em toda a parte das circunstâncias historicamente existentes, e por isso não se atribui de modo nenhum qualquer peso particular às medidas revolucionárias propostas.
Teóricos do Socialismos Científico.
“Face ao imenso desenvolvimento da grande indústria nos últimos 25 anos e, com ele, ao progresso da organização do partido da classe operária, face às experiências práticas, primeiro da revolução de Fevereiro, e muito mais ainda da Comuna de Paris, na qual pela primeira vez o proletariado deteve o poder político durante dois meses —, este programa está hoje, num passo ou noutro, ultrapassado.” 

Duas frases do documento, exatamente as que iniciam e concluem o manifesto tornaram-se ao longo das décadas um lema de ação dos movimentos revolucionários de esquerda. A inicial “Um fantasma ronda a Europa – o fantasma do comunismo”. E de modo especial a conclusiva máxima: “Os proletários nada têm a perder a não ser seus grilhões. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos.”, que ressalta o internacionalismo da luta de classes em detrimento do nacionalismo que buscava jogar um povo contra outro. 


Costumam-se creditar a Friedrich Engels os primeiros rascunhos do Manifesto. Em julho de 1847, Engels foi escolhido entre os dirigentes da Liga dos Comunistas para redigir uma espécie de "catecismo". Esse trabalho veio a ser conhecido como o "Esboço de uma Profissão de Fé Comunista". O esboço continha quase duas dúzias de questões que ajudaram a expor as idéias à época tanto do próprio Engels quanto de Marx. Em outubro de 1847, Engels redigiu seu segundo esboço para a Liga intitulado Os Princípios do Comunismo. O texto permaneceu inédito até 1914 a despeito de ter sido a base do Manifesto Comunista. Foi com fundamento nesse rascunho de Engels, que Marx, indicado para tanto pela Liga, escreveu O Manifesto Comunista, em que combinou suas ideias centrais com as do seu amigo nos esboços e particularmente na obra “A condição da classe trabalhadora na Inglaterra”. 

Embora o nome dos dois apareça como os autores do Manifesto, Engels no prefácio da edição alemã de 1883 disse que o documento “era essencialmente obra de Marx” e que o “pensamento fundamental… pertença única e exclusivamente a Marx”. 

Após a morte de Marx, Engels escreveu: "Não posso negar que antes e durante os 40 anos de minha cooperação com Marx tive certa participação independente em lançar os fundamentos da teoria, porém a maior parte de seus principais princípios básicos pertence a Marx... Marx era um gênio; nós outros, na melhor das hipóteses, talentosos. Sem ele a teoria não seria, de longe, o que é hoje. Portanto, ela com justiça leva o seu nome”. 
Fonte: Opera Mundi.

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