sábado, 30 de março de 2013

Muro segrega pessoas na Palestina.


Às vésperas do Dia da Terra na Palestina, pesquisa revela o impacto negativo do Muro do Apartheid, que priva mais de 50 mil moradores de Jerusalém de morar na cidade


Um relatório de monitoramento divulgado pelo Escritório Central de Estatísticas, na quinta-feira (28), às vésperas do Dia da Terra, revela a lista de violações israelenses contra o povo palestino e sua terra nos últimos anos.

O relatório apontou que a ocupação israelense, de acordo com a Fundação Almaqdisi, demoliu, de 2000 a 2012, 1.124 edifícios em Jerusalém Oriental, o que resultou no deslocamento de 4.966 civis da cidade, incluindo 2586 crianças e 1.311 mulheres.

A pesquisa apontou também que o total das perdas sofridas pelos palestinos em decorrência das demolições em Jerusalém chegou a três milhões de dólares, e a informação não inclui os gastos que os moradores prejudicados têm com as cobranças financeiras impostas por lei israelense com base no que é chamado de “violação de construção”, considerando as moradias palestinas como construções irregulares.

De acordo com dados de organizações israelenses de direitos humanos, as autoridades da ocupação demoliram cerca de 25 mil casas na Palestina desde 1967, alertando para um aumento da frequência de “autodemolições” de casas desde 2000, período em que 303 cidadãos foram obrigados a demolir as suas casas por conta própria, assumindo, inclusive, os gastos para a execução. No ano de 2010, houve o maior percentual de “autodemolição”, alcançando o número de 70 casos de demolição. No ano de 2009, houve 49 casos de demolição, e no ano de 2011, foram registrados 20 casos de autodemolição, enquanto no mesmo período, em 2012, houve 14 casos.

Apesar de ser um importante relatório e com resultados credíveis e oficiais, de acordo com a Fundação Maqdasi, o documento alerta que há também vários outros casos de autodemolição reticente pela população, e que portanto se enquadram nos casos em que não são informados ou contabilizados pelos meios de comunicação, instituições de direitos humanos e organizações da sociedade civil.

Enquanto os palestinos constituem 30% da população em Jerusalém, eles pagam 40% do valor dos impostos cobrados pela Prefeitura da ocupação e, em troca, o município gasta apenas 8% em serviços prestados aos cidadãos palestinos.

Segundo o relatório, metade dos colonos vive no distrito de Jerusalém. O número de postos de assentamentos e bases militares israelenses, no final de 2012, na Cisjordânia, era de 482 postos. O número de colonos, na mesma região, chegou a 536.932 até o final do ano de 2011.

A partir dos dados publicados, nota-se que 49,8% dos colonos vivem no distrito de Jerusalém, onde formam um grupo de cerca de 267.643 pessoas, das quais 199.647 vivem na região de Jerusalém Oriental. Na Cisjordânia, há 21 colonos para cada 100 palestinos e, no distrito de Jerusalém, cerca de 68 colonos para cada 100 palestinos.

Outro ponto analisado pela pesquisa são os prejuízos dos cidadãos que convivem com a expansão diária do muro de separação étnica, explicando que a construção proíbe mais de 50 mil titulares de identidade de Jerusalém de residir na cidade.

Segundo dados do Instituto (Arij) de Pesquisa Aplicada o muro ainda deve se expandir até o muro de anexação, e avançar cerca de 780 quilômetros de distância. A obra já foi construída em 61%.

Estima-se de acordo com o traçado do muro, que a área dos territórios palestinos isolada e sitiada entre o muro e as fronteiras de 1948 aumentou cerca de 680 quilômetros quadrados no ano de 2012, representando cerca de 12% de comprimento na Cisjordânia, dos quais cerca de 454 km² são campos agrícolas, pastagens e áreas abertas,117 km² inexplorados como assentamentos e bases militares, e 89 km² de florestas, além dos 20 km² de terra com construções palestinas.

O muro isola permanentemente cerca de 37 localidades habitadas por mais de 300 mil pessoas, e concentra-se a maioria das congregações em Jerusalém por 24 localidades habitadas por mais de 250 mil pessoas. O muro também priva mais de 50 mil titulares de identidade de Jerusalém de acesso e de residência em Jerusalém, e cerca 173 localidades habitadas por mais de 850 mil habitantes, região da cidade de Qalqilya.

O relatório mostrou que cerca de 11,8 milhões de pessoas viviam na Palestina histórica no ano de 2012, em área de cerca de 27.000 km², e que os judeus constituiam 51% da população total, e exploravam mais de 85% da área total, enquanto o percentual de palestinos era de 49% do total da população e exploravam cerca de 15% da área de terra. Tais dados levam à conclusão de que o indivíduo palestino tem direito a menos de um quarto do espaço da terra que o colono israelense.

No ano de 2012, houve um feroz ataque aos territórios palestinos, quando tomaram mais de 24 mil hectares de terra para confisco, escavações ou queimadas, e mais de 13 mil árvores frutíferas destruídas. Isso significa agressão ao meio ambiente palestino, bem como as autoridades de ocupação anunciaram a ratificação do estabelecimento de mais de 36 mil unidades habitacionais concentradas em assentamentos nas proximidades de Jerusalém.

Em março de 2012, o número de prisioneiros palestinos em prisões e cadeias israelenses chegou a 4.900 prisioneiros, incluindo 167 presos administrativo, 12 mulheres, 235 crianças, cerca de 300 pacientes prisioneiros, incluindo 14 internados em hospitais, 14 deputados e três ex-ministros, além de 105 prisioneiros detidos antes do acordo de Oslo, incluindo 76 prisioneiros que estão há mais de 20 anos encarcerados e 25 prisioneiros que passaram mais de 25 anos aprisionados.

Fonte: Portal Vermelho.

Negociação de paz entre Colômbia e Farc é adiada até abril.


O governo colombiano e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) adiaram até meados de abril a retomada das negociações de paz em Havana, um processo que busca encerrar o mais longo conflito armado interno no continente americano, segundo comunicado conjunto divulgado neste sábado.
O governo do presidente Juan Manuel Santos e as Farc começaram em meados de novembro as primeiras negociações de paz em uma década, um processo repleto de críticas, acusações mútuas e até mesmo ameaças de deixar a mesa de negociação.
Ambas as partes, que concluíram em 21 de março uma rodada de negociações sem acordo, haviam planejado retomar o processo na terça-feira, mas agora concordaram em retomar as negociações em meados de abril, de acordo com o comunicado.
"Após uma série de reuniões nos dias da Semana Santa, as delegações do governo nacional e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército Popular concordaram em retomar as negociações na terceira semana de abril", informou o comunicado.
As delegações afirmaram que o "propósito (é) para concluir os trabalhos sobre os temas da agenda de forma rápida e no menor tempo possível".
Além disso, as partes vão se concentrar separadamente no tema do Desenvolvimento Agrário Integral, o primeiro ponto de cinco, que também inclui o tratamento e compensação para as vítimas do conflito que deixou milhares de mortos e desabrigados no país sul-americano.
Fonte: Folha Mundo.

Estudo mede impacto do conhecimento do professor no desempenho do aluno.


Medir o impacto do conhecimento do professor para o desempenho escolar do aluno pode soar, à primeira vista, uma tarefa difícil e sem sentido. Difícil porque os instrumentos para avaliar o quanto um docente conhece a disciplina que leciona são raros e, sem sentido porque, em tese, só ensina determinado assunto quem o conhece.
A pesquisadora Raquel Rangel Guimarães, que é estudante do doutorado em Demografia do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), porém, percebeu que esse era um fator importante para avaliar o aprendizado dos estudantes brasileiros e encontrou uma maneira de demonstrar isso.
Durante mestrado realizado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, Raquel avaliou quais eram os fatores que, no Brasil, mais contribuíam para o bom desempenho escolar das crianças, medido por avaliações em grande escala. A qualificação do professor apareceu como determinante . O desafio seguinte foi verificar o tamanho desse impacto.
Raquel considerou, na pesquisa, as notas de estudantes da 4ª série do ensino fundamental e seus professores em provas de Matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Na amostra, foram avaliados os dados de seis Estados brasileiros - os que tinham pior desempenho e fizeram parte do Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE) entre 1999 e 2003. São eles: Rondônia, Pará, Pernambuco, Sergipe, Mato Grosso do Sul e Goiás.
Os resultados mostram que cada 10 pontos a mais tirados por um professor no teste representam um aumento de, pelo menos, um ponto na nota dos alunos. Os estudantes foram avaliados em uma escala de 0 a 100. Docentes e alunos prestaram as mesmas provas.
"Temos um efeito razoável e estatisticamente significante, que aponta a necessidade de investimento em políticas para a melhoria do conhecimento do professor do conteúdo que ministra", ressalta Raquel. Segundo ela, o efeito é duas vezes maior do que o observado em escolas públicas da Carolina do Norte, mostrado em um estudo de Charles Clotfelter, Helen Ladd e Jacob Vigdor, usado pelos pesquisadores para fazer comparações com o Brasil.
Dados escassos
As análises estatísticas feitas por Raquel e um grupo de colegas estrangeiros – Asha Sitaram e Shimpei Taguchi, de Stanford; Lucia Jardon, da Universidade de Zurique, e Lenora Robinson, da Harlem Village Academies – serão tema de palestra em um congresso da Population Association of America, em New Orleans, nos Estados Unidos, no dia 11.
"Infelizmente, os professores só participaram da avaliação em 1999. Seria fantástico se tivessem aplicado ao longo do tempo. É super difícil definir a qualidade do professor, o quanto ele sabe. O mais próximo que temos para definir um professor de boa qualidade é o conhecimento que ele tem da disciplina e o quanto ele sabe transmitir, que ainda não consegui estudar", afirma Raquel.
Segundo ela, os estudos na área ainda são escassos e deveriam ser mais explorados, porque podem direcionar políticas públicas. "Existe um potencial muito grande para investimento na qualificação do professor. Muitas vezes, parece óbvio mas o que percebemos é que há professores que não conhecem a disciplina que lecionam. É preciso melhorar a capacitação do educador", diz.

Fonte: Último Segundo.

Coreia do Norte anuncia que está em "estado de guerra" com o Sul.


A Coreia do Norte anunciou na noite desta sexta-feira (29/03, já no sábado, segundo o horário local) que entrou em "estado de guerra" e advertiu para um "combate em grande escala" fora da região, através de um comunicado da agência estatal norte-coreana KCNA.

"A partir de agora, as relações Norte-Sul entrarão em estado de guerra e os assuntos que surjam serão tratados de acordo com isso", assinalou o regime através de um anúncio especial publicado na agência estatal.

Agência Efe
O presidente Kim Jong-un já havia pedido a preparação de mísseis para atacar "a qualquer momento".

Por meio de um comunicado, o governo norte-coreano afirmou que "a situação na qual não há nem guerra nem paz na península de Coreia terminou".

As duas Coreias estão tecnicamente em guerra desde o conflito de 1950-53, que terminou com um armistício e não com um tratado de paz.

O documento advertiu ainda para um "combate em grande escala" para além da região, caso a Coreia do Sul e os EUA continuem com suas atividades militares na zona desmilitarizada entre as duas Coreias.

Segundo a KCNA, que atua como porta-voz do regime, o anúncio especial de hoje foi emitido pelo Partido dos Trabalhadores, por ministros e outras instituições. Estes anúncios se emolduram na campanha de ameaças que o regime de Pyongyang dirige contra Coreia do Sul e EUA desde que no último dia 7 de março, quando a ONU divulgou novas sanções ao país comunista por seu último teste nuclear de fevereiro.

Nessas sanções, a China, principal aliado da Coreia do Norte, respaldou e apoiou a penalização contra Pyongyang, uma manobra que, segundo os analistas, aprofundou o isolamento e a incapacidade para antecipar sua inesperada resposta.

Nesta mesma semana a Coreia do Norte anunciou a suspensão da única linha de comunicação militar que mantinha com Coreia do Sul e que administra o acesso ao complexo industrial comum de Kaesong, no meio de uma escalada de tensão entre os dois países. 

Fonte: Opera Mundi.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Como seria o mundo se cada habitante tivesse um carro.


Fonte: Canal BBC Brasil Youtube.

Endividada, Eslovênia pode ser próxima vítima da Troika.


A Eslovênia poderá ser o próximo país a pedir empréstimos financeiros  para o grupo de credores conhecido como Troika (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu) para saldar sua dívida soberana. A informação parte da imprensa local.

Há mais de um ano os principais institutos financeiros da ex-república iugoslava ficaram sem condições de conter sozinhos as consequências da forte redução do crédito na Europa. Análises de economistas europeus apontam que os bancos eslovenos, que são em maioria de propriedade pública, possuiriam créditos tóxicos calculados em cerca de sete bilhões de euros.
População protesta contra crise econômica na Eslovênia.

Segundo um relatório da Comissão Nacional para a Luta a Corrupção na Eslovênia, "os maiores bancos eslovenos teriam concedido na última década enormes valores de créditos, agora considerados como 'podres', que chegariam a quase um quinto (19%) do PIB (Produto Interno Bruto) do pequeno país do leste europeu - o valor total seria de 6,7 bilhões de euros. As diretorias dos bancos teriam, em muitos casos, tomado decisões com base em relações políticas e pessoais em uma atmosfera de corrupção política estrutural".


Por causa da grande porcentagem de créditos com elevado risco de inadimplência que os bancos locais possuem, avaliados em 20% do total dos empréstimos concedidos, os bancos NLB (Nova Ljubljanska Banka) e NKBM (Nova Kreditna Banka Maribor) tiveram suas notas de risco rebaixadas pelas grandes agências de rating internacionais.

Em 2012, os bancos eslovenos registraram uma perda total de 606 milhões de euros, com um aumento de 67 milhões em relação ao ano anterior. O ex-ministro das Finanças, Janez Sustercic, declarou que é muito provável que "a Eslovênia seja obrigada a pedir "ajuda internacional" se o plano de reorganização dos bancos for bloqueado".

O novo governo de centro-esquerda,  comandado pela especialista em finanças Alenka Bratusek, primeira mulher a ocupar o cargo de primeiro-ministro e que tomou posse na semana passada, vai decidir se cria um banco onde colocaria as dividas inexigíveis, e em seguida capitalizar novamente os bancos antes de privatizá-los. Esse plano já foi votado pelo Parlamento esloveno.

Bratusek anunciou que a "prioridade absoluta" do novo governo será o saneamento do setor bancário, cujos "ativos tóxicos", que superaram os 6,7 bilhões de euros, 19 % do PIB, estão prejudicando a economia do pequeno país alpino. Porém, além de tirar o país da crise econômica, esta mãe de duas crianças se coloca também como objetivo devolver à política e aos políticos o prestígio perdido.

Fonte: Opera Mundi.

Conheça a Troika.




Troika é a designação atribuída à equipa composta pelo Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. Tem origem na palava russa troika, que designa um comité de três membros. Na política, a palavra troika designa uma aliança de três personagens do mesmo nível e poder que se reúnem para a gestão de uma entidade ou para completar uma missão.
A troika é assim composta por uma equipa de consultores, analistas e economistas responsáveis pela negociação com os países que solicitam um pedido de resgate financeiro, de forma a consolidar as suas contas públicas. Esta equipa desloca-se aos países e analisa exaustivamente as despesas e receitas dos Estados durante algumas semanas, contando com a colaboração dos vários organismos do Estado e dos partidos da oposição, assim como das ordens profissionais e associações de apoio ao consumidor.
Após a análise da troika é elaborado um memorando, onde são apresentadas medidas a executar para estabilizar as contas públicas, os prazos e os montantes de dinheiro que serão entregues ao país.
Grécia, Irlanda e Portugal juntamente com Espanha, Chipre e provavelmente a Eslovênia são os países europeus que solicitaram o resgate financeiro no século XXI.
Fonte: Opera Mundi.

terça-feira, 26 de março de 2013

Entenda o conflito entre Coreia do Sul e Coreia do Norte.


No começo de fevereiro, o país confirmou seu terceiro teste nuclear e disse que ele teve “maior nível” que os anteriores, feitos em 2006 e 2009. No mês anterior, o regime de Kim Jong-un já havia ameaçado realizar esse teste como resposta à resolução tomada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que ampliou as sanções ao país comunista como castigo pelo recente lançamento de um foguete de longo alcance. A ação foi qualificada pelo governo norte-coreano como uma medida prática para fazer frente às “hostilidades” dos Estados Unidos, país que há alguns dias o líder norte-coreano chamou de “inimigo jurado” . A ONU classificou isso como uma “ameaça” e abriu a porta para novas sanções. Além dessas, a União Europeia aplicou as suas, que incluem o veto à exportação de certos componentes que possam ser utilizados na fabricação de mísseis. Em resposta, a Coreia do Norte declarou o fim do cessar-fogo com a Coreia do Sul (a guerra entre os dois países nunca acabou de vez) e esta, por sua vez, iniciou exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos.
Para completar, a ONU reiterou suas já conhecidas denúncias de que o governo norte-coreano tem violado os direitos humanos da população e pediu maiores investigações. Entre os abusos documentados estão a crise alimentícia por causa das políticas de distribuição de alimentos controladas pelo Estado, que provoca imensos níveis de desnutrição, a restrição à entrada de assistência humanitária internacional, o uso da tortura e penas cruéis impostas a quem for considerado hostil ou contrário à ideologia oficial do governo. Em maio de 2011, a Anistia Internacional divulgou imagens de satélite que mostram o crescimento dos campos de prisioneiros políticos no país; a organização estima que lá trabalhem 200 mil pessoas em condições de escravidão. (Dica: para ler mais sobre isso – e treinar o inglês  que também apresentou acusações.).
Não se sabe o futuro das tensões na região e é bom ficar de olho no noticiário. Mas, para entender bem o que está acontecendo, é preciso dar uma olhada na história dos dois países. As informações a seguir foram tiradas do Almanaque Abril .
A divisão das Coreias
Segundo a lenda, no século anterior à Era Cristã, a atual península Coreana foi dividida em três reinos: Silla, Koguryo e Paekche. Nos séculos seguintes, o território foi disputado por chineses, mongóis, japoneses e russos. Em 1910, o Japão anexou a região e tentou suprimir a língua e a cultura coreanas. Na Segunda Guerra Mundial, milhares de coreanos foram levados para trabalhos forçados no país e em países sob seu domínio. Mas o Japão teve de se render em 1945, e a península Coreana foi dividida em duas zonas de ocupação pelos vencedores da guerra: uma norte-americana no sul, e outra soviética no norte, correspondendo ao antagonismo da Guerra Fria. Em 1948 são criados dois Estados: Coreia do Norte e Coreia do Sul.

Em 1950, os norte-coreanos invadem o sul. A ONU envia tropas, formadas principalmente por soldados norte-americanos, que contra-atacam e ocupam a Coreia do Norte. A China entra na guerra e, em 1951, conquista Seul, a capital sul-coreana. Nova ofensiva dos EUA empurra as tropas chinesas e norte-coreanas de volta ao paralelo 38 – a linha que separa as duas Coreias. Mais de 5 milhões de pessoas morrem em três anos de guerra, sendo que pelo menos 2 milhões são civis. A trégua assinada em 1953 cria uma zona desmilitarizada entre as duas Coreias, mas a guerra nunca foi oficialmente terminada.
No fim dos anos 1990, as Coreias ensaiaram uma aproximação: a crise econômica do Norte, cujo efeito mais dramático é a escassez de alimentos, o torna dependente de ajuda humanitária do Sul. O avanço do programa nuclear norte-coreano nos últimos anos, contudo, prejudica o processo de paz. Os dois países chegam à beira de um conflito em 2010, quando os norte-coreanos bombardeiam um navio e uma ilha da Coreia do Sul. Isso deflagrou um dos mais graves atritos entre os dois países desde o armistício de 1953.
Veja uma entrevista com o professor Célio Tasinafo, do cursinho Oficina do Estudante, sobre o tema e como ele pode ser cobrado no vestibular:
Coreia do Norte: “Eixo do Mal”
Em 2002, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, incluiu a Coreia do Norte, junto com Iraque e Irã, no grupo que chamou de “eixo do mal” – uma lista de países que apoiam organizações terroristas ou produzem armas de destruição em massa. No mesmo ano, a Coreia do Norte inaugura uma zona industrial especial em Kaesong, onde empresas sul-coreanas se instalam e empregam a mão de obra norte-coreana. A instável relação entre os dois países, contudo, ameaça esse arranjo. Pyongyang também passa a liberar a atuação de comércios privados restritos.
Coreia do Sul: da ditadura à democracia
O Estado sul-coreano surgiu em maio de 1948, quando a zona ocupada pelos Estados Unidos (EUA), na metade sul da península, se torna um país independente sob a liderança do nacionalista Syngman Rhee. Em 1950, a nova nação é invadida pela Coreia do Norte, dando início à Guerra da Coreia, que dura até o armistício de 1953. Rhee permanece no poder até 1960, quando renuncia em meio a acusações de corrupção. Seu sucessor, Chang Myon, é deposto em 1961, em um golpe militar chefiado pelo general Park Chung Hee. Em 1972, após ser confirmado no cargo por eleições consideradas fraudulentas, Park instaura uma ditadura militar.
A era Park, na qual o autoritarismo coexiste com a modernização industrial, termina com seu assassinato, em 1979. Um mês depois, o general Chun Doo-Hwan lidera um golpe militar. Novos protestos, em 1987, obrigam Chun a convocar eleições diretas para a escolha de seu sucessor. O candidato governista, Roh Tae Woo, vence e, em 1992, faz de seu sucessor, Kim Young-Sam, o primeiro presidente civil depois de 30 anos. Em 1994, agrava-se a tensão com a Coreia do Norte, diante da recusa do vizinho em permitir a inspeção internacional de seus reatores nucleares. A crise é encerrada com um acordo promovido pelos EUA.
Fonte: Guia do Estudante.

sábado, 23 de março de 2013

Bolívia anuncia processo contra Chile em Haia para ter acesso ao mar.


O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou neste sábado (23/03) que "nos próximos dias" o país irá apresentar na Corte Internacional de Haia um processo contra o Chile para buscar uma restituição da saída soberana ao mar, perdida em uma guerra há 134 anos. O presidente chileno, Sebastían Piñera, respondeu que o "Chile e seu povo defenderão com toda a força da união nacional, a história e a verdade seu território, seu mar, seu céu e também sua soberania".  
Efe
Evo Morales discursa em La Paz: "unidos com trabalho e esforço, com segurança, em breve voltaremos a ter acesso ao mar"

"Decidi que nos próximos dias uma comissão viajará a Haia para apresentar um processo para retornar ao mar com soberania", disse Morales em seu discurso para lembrar a invasão do território litorâneo boliviano em 1879 e comemorar o Dia do Mar. "Com a força da razão e com o calor da união do povo boliviano, faremos valer perante o mundo nosso direito a ter um acesso soberano ao mar", acrescentou.

O presidente explicou que a Bolívia, após fazer uma consideração "vigorosa e prudente da situação", decidiu iniciar as ações legais no tribunal internacional para resolver a situação com o Chile de forma pacífica. Segundo Morales, a Assembleia Legislativa boliviana deve aprovar nesta semana uma lei para ratificar a integridade do Pacto de Bogotá de 1948, que reconhece a jurisdição da Corte de Haia, para definir o processo que será apresentado. 

O presidente criticou, ainda, que o Chile tenha se negado a dialogar sobre o tema. "Ao ignorar a reivindicação do povo boliviano, o Chile lhe nega a paz, a solidariedade e a irmandade e nega a integração latino-americana e destrói o sonho dos povos de viver em paz e harmonia, compartilhando benefícios mútuos", disse Morales. "Povo boliviano, quero que me acompanhe. Unidos com trabalho e esforço, com segurança, em breve voltaremos a ter acesso ao mar", concluiu o presidente. 

A Bolívia, aliada ao Peru, entrou em guerra contra o Chile no final do século XIX, depois que tropas chilenas ocuparam o território litorâneo boliviano em seu departamento Litoral. A guerra do Pacífico custou à Bolívia 400 quilômetros de costa e 120 mil quilômetros quadrados de superfície.

Reação

No Chile, o candidato de Piñera para a próxima eleição presidencial, Laurence Golborne, repudiou o anúncio feito pela Bolívia e disse que a integridade territorial do Chile "não se toca, deve ser respeitada e defendida", complementando que o  tratado de 1904 "estabeleceu os limites com nosso país vizinho", além de "condições através das quais o Chile entrega uma série de benefícios para que eles possam ter acesso a seus produtos".

Efe (17/03/2013)
Morales acusou Piñera de "ignorar a reivindicação do povo boliviano" sobre tema da saída para o mar, perdida em guerra há 134 anos

Já o candidato da Renovação Nacional Andrés Allamand disse que o Chile "não deve efetuas concessões de território à Bolívia", e qualificou o discurso de Morales como "ofensivo e desqualificativo". A eleição chilena acontece em 17 de novembro desse ano. 

Economia

Morales sublinhou que a falta de saída ao mar é uma condenação perpétua que "estrangula" a economia boliviana. O chefe de Estado afirmou que a "invasão" chilena representou uma perda territorial para a Bolívia de mais de 120 mil quilômetros quadrados e 400 quilômetros de costa, além dos recursos naturais nesses espaços.

"Após tomar nosso litoral, o Chile aproveitou as riquezas de adubo, salitre e enxofre. posteriormente, extraiu o cobre das jazidas de Chuquicamata, origem do desenvolvimento econômico chileno", completou. Morales lembrou que "um presidente chileno mencionava que o cobre é o salário do Chile", em referência aos recursos gerados pela CODELCO (Corporação Nacional do Cobre), de 7,3 bilhões de dólares em 2011, o que significa que "em um só ano, o cobre boliviano rende ao Chile sete bilhões", reclamou.

Em troca da apropriação dos recursos naturais, Morales afirmou que o Chile concedeu ao país um regime de livre trânsito "falso e descumprido". Segundo ele, entre 1996 e 2000, os custos de transporte da Bolivia foram cerca de 66% superiores em comparação com o dos países-membro do Mercosul com litoral marítimo e 140% superiores ao dos Estados Unidos, citando estudo da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) de 2003.

Fonte: Opera Mundi.

Netanyahu anuncia retomada de relações com Turquia após três anos.


O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, informou nesta sexta-feira que o Estado judaico retomou as relações diplomáticas entre os dois países, que estavam em baixo perfil desde 2010.
A relação foi prejudicada após a morte de nove turcos em um ataque a um dos barcos da chamada Flotilha da Liberdade, que pretendia levar ajuda humanitária à faixa de Gaza.
AFP
Navio Mavi Marmara, da Flotilha da Liberdade, foi atacada em 2010 e provocou rompimento entre Israel e Turquia
Navio Mavi Marmara, da Flotilha da Liberdade, foi interceptado em 2010; ataque provocou rompimento entre Israel e Turquia
Em comunicado, Netanyahu disse que enviou pedido de desculpas ao presidente turco, Abdullah Gül, pelos erros que levaram à morte dos ativistas e prometeu uma compensação financeira. Mais tarde, o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que a Turquia aceitou o pedido de desculpas.
No telefonema, Erdogan disse a Netanyahu que valoriza a "forte amizade de centenas de anos e a cooperação entre as nações turca e judaica", segundo o governo turco.
A ligação entre Netanyahu e Erdogan foi confirmada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em nota divulgada minutos após deixar Israel. No documento, o americano disse que a retomada ajudará os dois países a enfrentar desafios e oportunidades.
"Os Estados Unidos valorizam profundamente nossas parcerias estreitas com a Turquia e Israel, e damos grande importância para a restauração de relações positivas entre eles, a fim de promover a paz e a segurança na região", declarou Obama.
Com isso, Israel voltará a ter embaixador em Ancara e a Turquia colocará um novo representante em Tel Aviv, após um ano e meio com relações no nível de segundo-secretário, o segundo mais baixo na escala diplomática.

Fonte: Folha Mundo.

Brasil e China fecharão acordo para a troca de moedas.


O Brasil e a China vão assinar um acordo para troca de moedas (swap) no valor de R$ 60 bilhões (185 bilhões de iuanes) durante a Cúpula dos Brics, que se realiza nos dias 26 e 27 de março em Durban, na África do Sul.
O objetivo da linha é ser usada em momentos de emergência, como ocorreu na crise de 2008 ou na europeia em 2011, quando há uma retração no crédito mundial. O acordo é semelhante ao fechado em 2008 com o Fed.
Se a posição do Brasil prevalecer, Rússia, China, Índia e África do Sul devem anunciar a intenção de inaugurar o banco dos Brics em 2014, na próxima reunião de cúpula do grupo. A ideia é que o banco dos Brics tenha capital inicial de US$ 50 bilhões e seja usado para financiar projetos de infraestrutura em países em desenvolvimento.
"Alguns bancos multilaterais já estão como a capacidade de empréstimos esgotada para certos tomadores, inclusive dos Brics", disse à Folha uma fonte envolvida nas negociações. O objetivo é que o banco dos Brics tenha uma boa classificação de risco para conseguir captar recursos a custos baixos.
A diferença entre o banco do Brics e organismos como o Banco Mundial é que os bancos dos doadores tradicionais frequentemente financiam apenas os projetos que eles acham necessários para os países em desenvolvimento, em vez de reagirem às necessidades dos países emergentes, disse a fonte.
Entidades de direitos humanos pressionam para que o banco do Brics tenha critérios mais exigentes na concessão de crédito, com restrições para projetos que afetam negativamente populações locais ou desrespeitam direitos humanos.
"Existe o risco de o Banco dos Brics acabar financiando projetos que não passam no crivo de entidades como o Banco Mundial por problemas ambientais ou trabalhistas", diz Juana Kweitel, diretora de programas da Conectas Direitos Humanos. "Queremos saber qual vai ser o relacionamento do banco com governos autoritários, eles terão tratamento igual ao dos governos democráticos?"
Também deve ser anunciado o Mecanismo Contingente de Reservas, para entrar em funcionamento em 2014. O mecanismo deve prever US$ 100 bilhões, sendo que a China terá a maior participação, e a África do Sul, a menor. Esses recursos seriam mobilizados apenas em casos de emergência, para reduzir a dependência que os países têm de organismos como o FMI durante crises.
Fonte: Folha Mundo.

Entenda a situação em Chipre, a nova vítima da crise europeia.


No momento em que o cenário econômico europeu parecia ao menos se estabilizar e caminhar para o início de uma recuperação financeira, surgem novos temores de um colapso do sistema bancário e de uma fuga generalizada de capitais. O mais recente foco de intoxicação vem da porção oriental do mediterrâneo, de uma economia de apenas 17 bilhões de euros, cujo endividamento público alcança a marca dos 145% do PIB. A parte sul da pequena e dividida ilha de Chipre integra a Zona do Euro e sobrevive apenas às custas do setor de turismo e de suas reservas de gás. Até pouco tempo, uma flexível regulação fiscal criava ali um paraíso para investidores da Rússia, o que ajudava a bancar os custos do Estado. Mas as incertezas sobre o bloco europeu fizeram o crédito russo desaparecer e mergulharam o país na falência. O risco de um confisco sobre os depósitos dos correntistas cipriotas apenas agravou ainda mais a situação. 
O primeiro pedido de socorro não é novo. Em junho de 2012, Chipre tornou-se o quinto de 17 países da Zona do Euro a urgir ao consórcio formado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI (chamado de troika), um fundo de resgate capaz de produzir liquidez dentro de suas maiores instituições financeiras. Tanto o Banco de Chipre quanto o Banco Popular de Chipre sofriam na ocasião os reflexos do colapso da economia grega: ambos eram donos de uma série de títulos públicos do governo helênico e foram obrigados a arcar com esses prejuízos. A resposta dos ministros das finanças da União Europeia surgiu apenas após nove meses. Liderados pelos alemães, concederam ao governo na madrugada do dia 16 um empréstimo no valor de 10 bilhões de euros, pouco mais da metade dos 17 bilhões necessários para ao menos contornar a crise.
Manifestante segura um cartaz que diz "Tirem as mãos do Chipre", em um protesto nas ruas da capital, Nicósia. O país está a beira de um colapso econômico (Foto: ASSOCIATED PRESS/AP)
Manifestante segura um cartaz que diz "Tirem as mãos do Chipre", em um protesto nas ruas da capital, Nicósia. O país está a beira de um colapso econômico (Foto: ASSOCIATED PRESS/AP).
Agora, o governo cipriota vive um dilema duplo. Precisa suprir os 7 bilhões de euros que ainda restam para liquidar (mesmo em caráter provisório) a dívida pública do país. Mas terá de cumprir as exigências da troika para a concessão do empréstimo. Os 10 bilhões de euros acordados só entrarão nas contas do governo de Chipre quando o país conseguir amealhar uma garantia de 5,8 bilhões de euros. A questão tramita com urgência no Parlamento. Segundo o porta-voz do governo, Christos Stylianides, “qualquer solução envolverá dor”.
Uma das propostas causou protestos generalizados na capital, Nicosia. O governo propôs arrecadar a garantia de 5,8 bilhões de euros a partir de confiscos sobre depósitos em conta corrente. Para montantes inferiores a 100 mil euros, 6,75% passariam a pertencer automaticamente ao governo. No caso de valores superiores, o confisco chegaria a 9,9%. "Todos devemos assumir nossa parcela de culpa”, tentou justificar Stylianides em um pronunciamento.
Autoridades da Rússia e do Chipre se encontraram nesta semana em Moscou para debater a possibilidade de abertura de uma nova linha de crédito. O pedido foi negado pelo governo de Vladimir Putin devido a um teto de endividamento imposto pela União Europeia a seus membros. Após uma reunião com seu colega cipriota, o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, afirmou que os investidores de seu país não estão mais interessados nas reservas de gás de Chipre.
Economistas e analistas da imprensa europeia viram com bons olhos a concessão do empréstimo do Banco Central Europeu (BCE), mas criticaram a entrega desse valor diretamente ao governo. Para eles, isso cria um circulo vicioso de dívida, em que países fragilizados recebem o dinheiro do BCE e o repassam a bancos também fragilizados. O ideal seria analisar caso a caso e estabelecer critérios para que as próprias instituições financeiras tivessem acesso aos fundos do Mecanismo Europeu de Estabilidade.
Chipre pode se tornar a faísca de um bloco em grande efervescência política. A fuga radical de capitais dos bancos cipriotas pode contaminar outros países fragilizados, como Itália, Espanha e, é claro, Grécia. No século XVI, o abade de Saint-Pierre, um dos pais do ideal de integração da Europa, argumentava que a prosperidade geral do continente só seria possível a partir da paz entre as nações e de intensas trocas econômicas. A União Europeia mantém vivo o seu projeto, mas enfrenta agora mais uma ameaça à sua estabilidade econômica.
Fonte: Revista Época.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Confisco no Chipre e as veias abertas da velha Europa.


Enquanto o novo Papa, Francisco I, assumia seu novo posto, distribuindo bênçãos e rezando missa, uma nova tsunami de adrenalina invadia as veias abertas do continente europeu. O motivo desta nova e, como as antigas, violenta turbulência a se propagar a partir da Zona do Euro foi a resolução tomada pelos ministros da área financeira, reunidos em Bruxelas durante o fim de semana, sobre a ajuda à combalida banca cipriota. Tão forte foi a agitação que os mesmos ministros realizaram uma vídeo-conferência na segunda-feira (18), para revisar as medidas, enquanto bolsas e ações de banco despencavam, manifestantes tomavam as ruas de Nicósia, a capital da República do Chipre, e correntistas, poupadores e até investidores ameaçavam uma corrida aos bancos na Espanha e na Itália.

Chipre é uma das maiores ilhas do Mediterrâneo, dividida em duas partes: em um terço da ilha, ao norte, existe uma hipotética República Turca de Chipre, na prática ocupada por tropas turcas e só reconhecida pelo governo de Ancara e de alguns países islâmicos. Os restantes dois terços constituem a República do Chipre, com uma população total estimada em 1.100.000 habitantes, embora o último censo tenha apontado pouco mais de 800 mil cidadãos. A diferença se deve ao fato de que o número de estrangeiros que moram na república é muito alto. Uma parte destes são aposentados ou investidores europeus – sobretudo russos e britânicos – que escolheram a ilha como residência pelas facilidades fiscais, entre elas o fato de o imposto sobre a renda ser linear e muito baixo: 10%.

Apesar deste atrativo, a República do Chipre não escapou ao destino de hoje ex-paraísos neoliberais, como a Irlanda ou a Islândia (esta hoje recuperada, graças a seu programa não ortodoxo de regeneração financeira, uma exceção no caos europeu), e em maio do ano passado começou a dar sinais de exaustão e degenração financeiras, tendo pedido ajuda ao Fundo de Emergência da Zona do Euro, de que faz parte.

O montante da ajuda pedida era de 17 bilhões de euros. Quase uma ninharia diante dos bilhões já despejados na Grécia, na Irlanda, na Espanha, e em Portugal. Afinal, a economia cipriota representa apenas 0,2% da economia da Zona do Euro. Começando no sábado e adentrando até a madrugada de domingo para segunda, a reunião dos ministros decidiu atacar o problema. Tão complicadas foram as negociações que o próprio presidente do país, o conservador Nicos Anastasíades, passou a participar do encontro, ao lado do seu ministro das Finanças, Michalis Sarris.

O que complicava as negociações era a exigência – hoje com a paternidade posta em dúvida – de que os correntistas e poupadores cipriotas participassem da operação, através do confisco de parte de suas economias, por meio de um imposto único. A resolução afinal tomada deveria, segundo o presidente do Grupo do Euro e ministro das Finanças da Holanda, Jeroen Dijsselbloem, “garantir a estabilidade do Chipre e na Zona do Euro como um todo”.

O tiro saiu-lhe perfeitamente pela culatra e entrou pela garganta abaixo de milhões e milhões de europeus. Tudo porque a resolução atravessava um Rubicão nunca dantes navegado, este de impor o confisco de parte das economias dos depositantes nas instituições bancárias cipriotas: 6,75% até 100 mil euros, 9,9% a partir daí. Com isso, o país visava arrecadar (e ainda visa) 5,8 bi de euros, vindo outros 10 do Fundo de Emergência. O governo e as autoridades da Zona do Euro contavam com um feriado na segunda-feira, devido ao começo das festividades da Páscoa Ortodoxa. Como medida suplementar, proibiram transações bancárias via internet, para evitar a fuga de capitais.

Tradicionalmente, este feriado ortodoxo leva as famílias – com o começo da primavera – a fazer piqueniques nos parques de Nicósia e no resto da ilha. Desta vez não houve piqueniques. Ao contrário, multidões começaram a ocupar as ruas da capital, protestando contra a medida. Nem foi eficaz a justificativa aventada para esta “participação” no “salvamento” da “economia” (leia-se: a banca cipriota e seus credores internacionais) do país, a de que os bancos locais tornaram-se guarida procurada por oligarcas russos e investidores britânicos.

A insatisfação transbordou. A primeira medida direta veio do Reino Unido, que suspendeu o pagamento de aposentados com contas em Chipre, com o objetivo de “proteger” seus investimentos, afirmando que ele seria retomado assim que a situação se esclarecesse. Na sequência, bolsas despencaram, começou uma turbulência ameaçadora em bancos italianos e espanhóis, com correntistas visando proteger seus fundos, alguns afirmando que passariam a preferir os próprios colchões às contas bancárias. As ações de bancos começaram a despencar, inclusive na poderosa Alemanha – logo apontada como a mãe da idéia.

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, deu declarações que a Alemanha fora contra penalizar os pequenos investidores, embora seu governo tenha insistido na obtenção de parte do socorro através dos bancos cipriotas. Dedos apontaram então o presidente de Chipre, que se recusara a aceitar uma carga maior sobre os grandes investidores, de 12,5% ou 15% a partir dos 500 mil euros depositados. O Parlamento em Nicósia, onde o governo tem pequena margem de votos sobre a oposição, também se agitou, e até o momento em que redijo esta nota, não foi possível aprovar a medida. O feriado bancário foi estendido até quinta-feira. A teleconferência dos ministros das áreas financeiras propôs uma revisão da medida, salvaguardando os pequenos poupadores. Isto poderia vir sob a forma de reduzir-lhes o confisco a 3%, isentando os depósitos até 20 mil euros. Em contrapartida, voltou-se a falar na alíquota maior para grandes investidores, além dos 9,9%.

Outros dedos apontaram para a Comissão Européia, o FMI, o Banco Central Europeu. Várias unhas, nesta altura, voltaram-se para os credores das dívidas cipriotas públicas e privadas. É verdade que houve quem saudasse a medida como um “pragmatismo” indispensável, para evitar que apenas os “contribuintes europeus” paguem as contas dos países endividados e de seus sistemas financeiros. (V. p. ex., Christian Rickens, “Saving Cyprus: Tapping Bank Customers is the Right Move”, no ‘Spiegel International’). Também logo se aventou, com contido júbilo, que a medida deveria ser logo estendida aos correntistas de outros países, como a Itália e a Espanha. É um argumento curioso, pois parece partir da premissa de que “correntistas” não são “continuintes”. Na verdade, o argumento se apóia, nos bastidores, naquela surrada tese de que é necessário “disciplinar” o Sul da Europa, impondo-lhe a “moral saudável” do Norte.

Porém outras linhas se interpuseram neste cruzar de dedos apontando responsáveis pela medida, ou apontando novos alvos para ela.

Pais ou não da idéia, os credores dos “bonds” cipriotas foram apontados como favorecidos pelo confisco, pois nada teriam a pagar. Mas mesmo entre eles começaram a surgir dissidências. Analistas apontaram que os pequenos credores poderiam ser prejudicados, pois em caso de atribulações no honrar destas dívidas – e isto não está descartado, pois a medida que envolve 10 bi do Fundo precisa da aprovação de todos os parlamentos envolvidos – os grandes investidores são favorecidos pois, em geral, pagam taxas suplementares para serem pagos em primeiro lugar.

A confusão vai se estender por esta semana toda, sem dúvida.

Esta foi a Europa que encontrei ao retornar de três semanas no Brasil. Apesar dos problemas do nosso país, não deu para conter uma sensação de que retornava de uma “ilha de tranqüilidade” para um continente que não só está com suas veias abertas, mas está também com seu sistema nervoso em frangalhos.

Fonte: Opera Mundi;

Iraque: onde estão os líderes da invasão uma década depois?


Dez anos após o início da invasão no Iraque, os maiores responsáveis pela guerra já não ocupam mais os mesmos cargos da época. O que eles mantêm em comum é a defesa do argumento de que o então presidente, Saddam Hussein dispunha, sim, de armas de destruição em massa. Tal justificativa, usada para a mobilização militar, no entanto, já foi descartada pela maioria dos especialistas e por governos que não concordaram com a invasão.


De março de 2003 até hoje, foram mortas cerca de 174 mil pessoas e ninguém foi julgado pela invasão. Saiba como e onde estão seis dos principais responsáveis pela Guerra no Iraque. 



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George W. Bush



Depois de oito anos à frente da Casa Branca, entre 2001 e 2009, George W. Bush voltou ao Texas, seu Estado natal, onde está aposentado. Principal defensor da invasão ao Iraque, Bush forjou a justificativa de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa para angariar apoio da comunidade internacional em sua jornada.



Ao final de seu segundo mandato, não conseguiu eleger um sucessor do Partido Republicano – John McCain foi derrotado por Barack Obama em 2008. O texano deve entrar para a história como um presidente que gerou altos custos militares para os Estados Unidos, não apenas no Iraque, mas também no Afeganistão, tudo em nome de sua "Guerra ao Terror".



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Tony Blair


Principal aliado de Bush na invasão do Iraque, o ex-primeiro-ministro britânico mora em Londres e trabalha como enviado especial do Quarteto (grupo formado por ONU, UE, EUA e Rússia) no Oriente Médio.



Além disso, Blair também faz palestras em diversas partes no mundo, tendo passado pelo Brasil em agosto de 2012. Um mês antes, durante os Jogos Olímpicos de Londres, lançou uma nova fundação com o seu nome, que tem o objetivo de aproximar jovens carentes dos esportes.



Apesar das fortes críticas, Blair nunca admitiu que a invasão ao Iraque foi um erro.



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Donald Rumsfeld



Nesta terça-feira (19/03), por meio de sua conta no Twitter, Rumsfeld classificou a invasão como um “difícil trabalho de libertar 25 milhões de iraquianos" e considerou que "todos os que assumem um papel na história merecem nosso respeito e admiração".



O ex-secretário de Defesa dos EUA renunciou ao cargo em meio às denúncias de abusos cometidos por soldados norte-americanos na prisão de Abu Ghraib. Apesar da recusa de Bush em demiti-lo, Rumsfeld seguiu no cargo sem o prestígio de outrora, até sua saída definitiva, em 2006.

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Paul Wolfowitz



Então secretário-adjunto de Defesa dos Estados Unidos, Paul Wolfowitz é considerado um dos formuladores da estratégia de invadir o Iraque.



Depois de sair do governo norte-americano, Wolfowitz presidiu por dois anos o Banco Mundial, mas deixou o cargo após suspeita de fraude.



Na ocasião, foi acusado de lotear cargos da instituição para ex-colegas do governo Bush. As denúncias partiram de dentro do próprio banco, Foram os funcionários da banco, após a promoção da namorada do dirigente.




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Dick Cheney



Questionado nesta semana sobre as razões que levaram os Estados Unidos a defenderem a invasão do Iraque, Dick Cheney respondeu de forma irônica: “criar motivo para invadir um país é a parte mais fácil. Difícil é fingir que essa história é verdadeira por dez anos.”



Durante evento em Houston, Cheney, ex-vice-presidente dos EUA, foi além ao dizer que sua postura ajudará as futuras administrações do país. “Quando for hora de invadir o Irã ou a Venezuela, o presidente também fará terá vontade de fazer uso de uma razão completamente falsa.”



Ironias à parte, Cheney, de 72 anos, também defende que a estratégia adotada pelos Estados Unidos foi a melhor possível e apoia o uso da tortura como método de interrogatório.



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Ahmed Chalabi



Um dos principais opositores de Saddam Hussein, Ahmed Chalabi obteve uma vitória pessoal com a invasão do Iraque e a consequente queda do regime local. Iraquiano, Chalabi sempre teve contatos nos Estados Unidos, onde viveu a maior parte da sua vida.



De acordo com a rede NBC, ele recebia pagamentos regulares do governo norte-americano até maio de 2004.



Em 2012, Chalabi intermediou o diálogo entre Washington e a oposição do Bahrein, quando este país passava por uma série de protestos.

Repercussões dos dez anos de invasão


Um dia antes do aniversário de dez anos da invasão, organizações de direitos humanos e de veteranos contra a guerra fizeram um protesto em frente à Casa Branca para que os Estados Unidos assumam a responsabilidade pelo impacto causado no Iraque.



O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o secretário de Defesa, Chuck Hagel, prestaram homenagem aos mais de 4 mil militares norte-americanos mortos e os 32 mil feridos durante "uma das guerras mais longas", cujo sacrifício, segundo Obama, deu ao povo iraquiano "a oportunidade de construir seu próprio futuro após muitos anos de dificuldades".



Para os ativistas, embora as últimas tropas americanas tenham deixado o Iraque em dezembro de 2011, a guerra continua para os que estão sofrendo suas consequências. Durante o ato de ontem, as organizações Veterans Against the War, Center for Constitutional Rights, junto com as iraquianas da OWFI (Women's Freedom in Iraq) e Federeation of Workers Councils and Union in Iraq, apresentaram a iniciativa "Right to Heal" ("Direito a Curar"), com a qual pretendem conseguir uma indenização por danos.



"O governo norte-americano tentou justificar a guerra dizendo que podiam trazer a democracia a nosso país. Em vez disso, trouxeram violência e uma divisão mais sectária", lamentou o iraquiano Yanar Mohammed, presidente e cofundadora da OWFI.



A ONG HRW (Human Rights Watch), por sua vez, lamentou que, apesar das denúncias de abusos cometidos contra os detidos no Iraque, como espancamentos, simulação de asfixia e choques elétricos nos genitais, não foi feita uma investigação profunda, nem se responsabilizou altos cargos pelos "crimes de guerra".



A porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, deixou para os historiadores a avaliação sobre a guerra e apesar de assinalou os "avanços vistos" no Iraque na última década, reconheceu e o trabalho que ficou por fazer, em um dia em que uma onda de ataques causou a morte de 50 iraquianos e pelo menos 172 feridos.
Fonte: Opera Mundi.