domingo, 5 de maio de 2013

Coreia do Norte diz que Seul é culpada por fechamento de área industrial.


A Coreia do Norte acusou neste domingo o governo da vizinha Coreia do Sul pelo fechamento do complexo industrial de Kaesong, operado em conjunto por ambos países. O regime de Kim Jong-un atribuiu o fim das atividades a "suas hostilidades e provocações militares".
Os dois países entraram em tensão após mais sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) contra o país comunista contra o lançamento de um foguete espacial em dezembro e um teste nuclear em fevereiro. Por isso, Pyongyang ameaçou Seul e os Estados Unidos com ataques e medidas retaliatórias.
Uma delas foi o fechamento de Kaesong, no início de abril, quando o regime retirou os 53 mil operários da zona industrial. Diante da falta de acordo, os sul-coreanos retiraram seus 800 funcionários nas últimas duas semanas, sendo que os sete últimos saíram na sexta (3).
Em comunicado à agência de notícias KCNA, a Comissão Nacional de Defesa afirmou que o complexo só volta a funcionar se Seul abandonar ações como os exercícios militares com os Estados Unidos, que terminaram na semana passada.
"Seul deveria abandonar todas as hostilidades e provocações militares se estiver realmente preocupada com o destino do Complexo Industrial de Kaesong e com as relações intercoreanas, que estão à beira do colapso", diz o governo norte-coreano.
Também é criticada na nota a chegada de um porta-aviões nuclear dos Estados Unidos ao porto de Busan, no sul da Coreia do Sul que, segundo as autoridades de Seul, participará de exercícios militares. A chegada da embarcação pode aumentar de novo a tensão na região, embora Pyongyang tenha diminuído o tom.
A mudança de postura é atribuída à irritação do governo chinês, principal aliado norte-coreano, com a retórica belicista de Kim Jong-un. As ameaças diminuíram semanas após visita do secretário de Estado americano, John Kerry, a Pequim, em meados de abril.
KAESONG
Com o fim do acordo, Kaesong ficou sem operar pela primeira vez em nove anos. As instalações industriais, que rendiam US$ 480 milhões (R$ 960 milhões) anuais aos norte-coreanos, eram o último símbolo de cooperação entre os dois lados da península coreana.
Os últimos sete funcionários sul-coreanos, que saíram na sexta (3), ficaram na região até terminar as negociações de impostos e salários com os operários norte-coreanos. Após negociações, foi definido o pagamento de US$ 13 milhões (R$ 26 milhões) aos trabalhadores do lado comunista.
A retirada dos cerca de 800 funcionários sul-coreanos começou no dia 23, quando Pyongyang negou novas negociações com Seul. Desde então, os operários saíram aos poucos do país, sendo que a maioria voltou para casa dias após o anúncio da retirada.
Na quinta (2), a Coreia do Sul anunciou uma compensação de US$ 273 milhões (R$ 546 milhões) com fundos emergenciais às empresas que tinham operações em Kaesong, conforme contrato assinado antes da abertura das fábricas, em 2004, que prevê reparação de prejuízos em caso de fechamento maior que um mês.
Cada empresa que assinou o documento terá direito a cerca de US$ 6,4 milhões (R$ 12,8 milhões), calculados conforme o investimento feito na região. Ainda não foi definida como será feita a indenização de 27 das 123 empresas que atuam no complexo e não assinaram o seguro.

Fonte: Folha Mundo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário