quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Aos 50 anos, discurso de Luther King reflete sonho universal por sociedade justa.

O discurso histórico “Eu tenho um sonho”, que o reverendo Martin Luther King Jr. proferiu durante a Marcha em Washington por Emprego e Liberdade em 28 de agosto de 1963, continua reverberando nos EUA e mundo afora exatos 50 anos depois. Grande parte do seu impacto, dizem analistas, deve-se ao fato de não ter sido um discurso apenas para negros, ou só para cristãos, mas para todos os americanos – e, de certa forma, para todos que buscam uma sociedade mais justa. É por isso também que, passado meio século, ele não envelheceu.

AP
Martin Luther King faz discurso 'Eu tenho um sonho' no Lincoln Memorial, Washington (28/8/1963)


King começou o pronunciamento em ritmo lento, lendo um texto preparado com antecedência com referências à retórica igualitária da Constituição americana e à Declaração de Independência. Ao fim, falando de improviso, ele comoveu a multidão que o ouvia com uma mensagem de esperança. “Digo a vocês hoje, meus amigos, mesmo que enfrentemos dificuldades hoje e amanhã, eu ainda tenho um sonho. Um sonho profundamente enraizado no sonho americano”, declarou. No trecho espontâneo, ele também se apropriou de versos da canção nacionalista popular "My Country ‘Tis of Thee" (Meu País é de Vocês", em tradução livre).
Em 1999, um levantamento feito por pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison com acadêmicos de renome “elegeu” o discurso de King como o mais importante do século 20. Em 2008, uma pesquisa de opinião pública nos EUA mostrou que apenas 4% dos americanos não conheciam o famoso “Eu tenho um sonho” de King, com 68% dos entrevistados o tendo apontado como relevante para sua geração.
Assista aos principais trechos do discurso de Luther King:
A frase-chave do discurso ganhou o mundo e pode ser encontrada em lugares tão díspares como em murais no subúrbio de Sidney (Austrália), em placas de trem em Budapeste (Hungria), ou em cartazes do Dia da Consciência Negra em São Paulo. Durante os protestos de 1989 na Praça da Paz Celestial, China, alguns manifestantes carregaram pôsteres com a foto de King e os dizeres “Eu tenho um sonho”. No muro que separa Israel da Cisjordânia, recentemente alguém pichou “Eu tenho um sonho. E isto aqui é não é parte do sonho”.
Discurso universal
Segundo o historiador Gary Yougue, autor de dois livros sobre King, a força do discurso reside na possibilidade muito ampla de interpretação, fazendo com que todos (ou quase) concordem com o que foi dito. Embora a luta pelo fim da segregação racial nos EUA tenha sido dura e polarizada, a fala do reverendo conseguiu incluir a todos.
“Mas não importa a interpretação, o discurso continua sendo a mais eloquente e poética articulação pública da vitória do movimento pelos direitos civis”, afirma Youge em seu livro "The Story Behind Martin Luther King’s Dream" ("A História por Trás do Sonho de Martin Luther King", em tradução livre). Ele lembra que, embora o racismo ainda persista, “ninguém hoje em dia faz seriamente campanha pela volta da segregação ou abertamente lamente seu fim”.

AP
Local exato onde reverendo Martin Luther King Jr. proferiu seu famoso discursos 'I have a dream' (Eu tenho um sonho') é marco no Lincoln Memorial (26/8/2010)

Claro que Martin Luther King Jr. não era a única voz da luta pelo fim da segregação racial, mas simbolizou como ninguém o movimento que mudou os EUA – e, sem dúvidas, era parte central dessa luta, defende o diretor do Instituto de Pesquisa e Educação Martin Luther King Jr., na Universidade Stanford, Clayborne Carson. De acordo com Carson, o discurso em 28 de agosto de 1963 foi um dos pontos altos da onda de protestos dos negros pelos direitos civis.
“A habilidade de atrair a atenção nacional orquestrando confrontos com autoridades racistas, combinada com sua oratória, tornaram King o negro mais influente da primeira metade dos anos 1960”, opina Carson.
Após proferir o famoso discurso, King recebeu várias formas de reconhecimento público. Ele foi considerado “o homem do ano” de 1963 pela revista Time. Em dezembro de 1964, ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Com tanta notoriedade, foi alvo de escutas do FBI (polícia federal americana), para tentar encontrar fatos que manchassem sua reputação.
Depois de alguns anos, King acabou no ostracismo, mas até sua morte permaneceu comprometido com a defesa da sociedade americana por meio do ativismo não violento.
O tom conciliador, que levou King a ser marginalizado pelo movimento mais tarde, foi o grande mérito do discurso, avalia Adilson Cabral, professor de comunicação e políticas sociais na Universidade Federal Fluminense. “A grande contribuição desse discurso foi propor uma conciliação nacional que incorporasse os negros como efetivos cidadãos americanos, quando havia um clima que poderia levar a uma maior e conflitiva radicalização por parte do movimento negro”, afirmou ao iG .
Fonte: Último Segundo.

De que lado ficam os países na crise da Síria?

As cenas mostrando a intoxicação de jovens e crianças em um suposto ataque com armas químicas na Síria acendeu a luz amarela em relação ao conflito. Os EUA já sinalizaram que um ataque deve acontecer nos próximos dias , com consequências ainda incertas para a região. Mas, e os outros países, de que lado ficam no desenrolar da crise?
AP
Corpos de crianças mortas em suposto ataque químico jazem na região de Ghouta, Síria (22/8)
No Oriente Médio
Turquia
O governo turco tem sido um dos críticos mais ácidos ao presidente sírio, Bashar Al-Assad. O chanceler turco, Ahmet Davutoglu, já disse que o país está pronto para integrar uma coalizão internacional contra a Síria, caso o Conselho de Segurança da ONU não determine uma ação militar.
Arábia Saudita e monarquias do Golfo
As monarquias do Golfo vêm desde o início do conflito financiando as forças de oposição a Assad. A Arábia Saudita é um rival do regime sírio há anos e tem atuado no campo diplomático para angariar apoio internacional aos grupos rebeldes.
Israel
Embora tenha tentado se manter longe do conflito, Israel por três vezes bombardeou a Síria este ano , alegando ataque preventivo contra supostos carregamentos de munição do grupo xiita libanês Hezbollah . O país também respondeu a ataques a tiros vindo da Síria contra alvos nas Colinas do Golan , território sírio ocupado por Israel.
Nos últimos dias, autoridades israelenses condenaram o suposto ataque com armas químicas e indicaram apoio a uma ação militar internacional. "Nosso dedo deve estar a postos. O nosso é um dedo responsável que, se necessário, estará no gatilho", disse o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.
Israel sabe que um ataque internacional à Síria pode repetir o contexto da Guerra do Golfo, em 1991. Na ocasião, o Iraque atacou Tel Aviv com mísseis Scud em uma tentativa de arrastar Israel para o conflito.
Líbano
O chanceler libanês, Adana Mansour, disse que não apoia a ideia de um ataque à Síria. "Não acho que essa ação serviria à paz, à estabilidade e à segurança na região", disse.
Dois ataques à bomba ligados ao conflito sírio deixaram ao menos 60 mortos no Líbano neste mês. O grupo Hezbollah, que é muçulmano xiita, colocou-se abertamente ao lado de Assad (que é muçulmano alauíta, um ramo do xiismo).
Por outro lado, há grupos sunitas libaneses apoiando os rebeldes sírios (majoritariamente sunitas). O Líbano também recebeu milhares de refugiados sírios , sendo o destino mais procurado por quem foge do país em guerra.
Irã
A República Islâmica do Irã (de orientação xiita) tem sido o maior apoio do regime sírio na região. Nesta semana, o Irã alertou uma alta autoridade da ONU em visita a Teerã das "sérias consequências" de qualquer ação militar.
O chanceler Abbas Araqchi também disse que os supostos ataques com bombas químicas foram perpetrados pela oposição, e não pelo regime de Assad.
Fora da região
Estados Unidos
Após a cautela inicial em relação aos supostos ataques químicos, os EUA subiram o tom. O secretário de Estado, John Kerry, disse que o uso de armas químicas pelo regime sírio era "inegável" e uma "obscenidade moral" .
Desde então, Washington aumentou a presença militar naval no Mediterrâneo , alimentando os rumores de que um ataque é iminente. A expectativa dos analistas é de que os americanos lancem um ataque de uma base naval com mísseis apontados para instalações militares sírias.
Reino Unido
Principais aliados dos americanos, os britânicos já organizam um plano militar de contingência, segundo o gabinete do primeiro-ministro David Cameron. Qualquer ação será "proporcional", dentro da lei e seguirá o que for decidido pelos aliados internacionais, disse um porta-voz de Cameron.
Na segunda-feira, o chanceler William Hague disse à BBC que a pressão diplomática sobre a Síria fracassou e que o Reino Unido, "os EUA e muitos outros países, incluindo a França, estão certos de que não podemos aceitar no século 21 a ideia de que armas químicas possam ser usadas com impunidade".
França
Um dia após a veiculação das imagens do suposto ataque químico , o chanceler Laurent Fabius pediu uma " reação de força " caso se comprovasse o uso de tais armas.
AP
Foto sem data divulgada nesta segunda pela agência oficial Sana mostra o presidente sírio, Bashar al-Assad, durante entrevista com o jornal russo Izvestia (26/8)
A França está entre os países com a retórica mais dura contra Assad. Foi o primeiro país ocidental a reconhecer o principal grupo opositor como representante legítimo do povo sírio.
Junto ao Reino Unido, a França também pressionou a União Europeia para que fosse levantado o embargo de armas à Síria a fim de fornecer armamentos aos rebeldes.
Rússia
A Rússia é um dos mais importantes aliados do regime de Assad e tem advogado por uma solução diplomática para a crise. Qualquer iniciativa contra a Síria no Conselho de Segurança também seria vetada pelos russos.
Moscou já criticou qualquer possibilidade de ataque internacional, dizendo que decisões tomadas fora do Conselho de Segurança poderiam ter "consequências catastróficas para outros países do Oriente Médio e do norte da África".
China
China se juntou à Rússia ao bloquear resoluções contrárias à Síria no Conselho de Segurança. Também falou contra um provável ataque internacional contra os sírios.
A agência de notícias estatal chinesa Xinhua disse que os países ocidentais têm chegado a conclusões precipitadas sobre o suposto ataque químico antes mesmo da inspeção da ONU.
Brasil
AP
Reprodução de vídeo mostra fumaça saindo de prédios por causa de bombardeio em Daraa, Síria (27/8)
O Brasil desde o início procurou se manter afastado da crise síria, sendo inclusive alvo de críticas ao pedir uma solução diplomática para o conflito em momentos que os aliados ocidentais defendiam uma postura mais contundente.
Após o suposto ataque químico, o Itamaraty soltou nota dizendo "que o ataque perpetrado nos arredores de Damasco (...) constituiu ato hediondo, que chama a atenção da comunidade internacional para a necessidade de esforços concentrados".
Apesar do tom mais duro, o Brasil ainda "reitera sua posição de que não existe solução militar para o conflito e recorda seu apoio à convocação de conferência internacional sobre a situação síria".
Fonte: Último Segundo.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Hezbollah: Conheça a história do movimento xiita libanês.

O Hezbollah, palavra que significa “Partido de Deus”, surgiu como uma resposta à invasão e à ocupação do Líbano em 1982 por Israel, que lançou sua ofensiva militar para expulsar militantes palestinos que operavam no sul libanês. O Hezbollah foi criado por um grupo de clérigos muçulmanos xiitas radicais, com ajuda da Guarda Revolucionária do Irã, no Vale do Bekaa, na fronteira com o outro patrocinador do movimento, o governo sírio. Os xiitas eram o grupo social mais pobre e marginalizado do Líbano de então.

AP
Soldados britânicos ajudam em operações de resgate em local de ataque contra centro de comando de marines dos EUA perto do aeroporto de Beirute, Líbano (23/10/1983).

Nos anos iniciais, as principais táticas do grupo foram ataques suicidas, assassinatos e sequestros. Em 1983, um suicida em um caminhão-bomba em Beirute matou 241 marines (fuzileiros navais) americanos que faziam parte de uma força de paz enviada ao Líbano por sua guerra civil. A retirada das tropas americanas da cidade alguns meses depois, em 1984, foi vista como a primeira grande “vitória” do Hezbollah.
Em 1985, o movimento divulgou seu manifesto de fundação. Entre outras itens, o grupo prometia lealdade ao líder supremo do Irã, o então aiatolá Khomeini, reivindicava o estabelecimento de um regime islâmico no multirreligioso Líbano e queria a expulsão dos EUA, da França e de Israel do território do país, assim como a destruição do Estado judeu.
“A ideia primária em nossa luta contra Israel é que a entidade sionista é agressiva desde sua criação, pois foi construída em terras tomadas de seus proprietários, às custas do direito do povo muçulmano. Portanto, nossa luta só vai acabar quando a entidade for completamente destruída. Não reconhecemos nenhum tratado de paz, nenhum cessar-fogo”, diz um trecho do texto. Mais tarde, a defesa de um regime islâmico foi abandonada em favor de uma abordagem mais abrangente.
Originalmente um pequeno grupo guerrilheiro, o Hezbollah conseguiu expandir sua base de apoio ao aliar trabalhos sociais e atuação política ao discurso contra Israel e o Ocidente. Também ganhou reputação em todo o Oriente Médio por sua capacidade sem precedentes de enfrentar com sucesso as tropas do Estado judeu e aliados.

AP
Libanesa segura bandeira do Hezbollah durante marcha em Tyre para marcar o 6º aniversário da retirada de Israel do sul do Líbano depois de 18 anos de ocupação (25/5/2006)

Depois de Israel ter assassinato o líder do Hezbollah, Abbas al-Mussawi, em 1992, Hassan Nasrallah assumiu o comando do movimento. Capitalizando a crescente simpatia entre os libaneses, Nasrallah decidiu que o grupo entraria nas eleições gerais do país naquele ano. O Hezbollah conseguiu oito cadeiras no Parlamento, o que deu legitimidade à sua luta e métodos.
Mesmo tendo um braço na política oficial, o movimento manteve sua campanha de ataques a soldados israelenses. Em 2000, quando Israel decidiu se retirar do sul do Líbano, o grupo capitalizou mais uma grande vitória e sua popularidade cresceu mais ainda.
Apesar da retirada israelense, o Hezbollah continuou periodicamente lançando mísseis contra o território de seu inimigo. Em 2006, o confronto esporádico se transformou em uma nova guerra contra Israel, que resultou na morte de mais de 1 mil civis libaneses.
Se os EUA e Israel veem o Hezbollah como um grupo terrorista e uma ameaça à estabilidade regional, o movimento se descreve como uma força de oposição a Israel e ao envolvimento do Ocidente no Oriente Médio. Para além do braço armado, são as diversas ações sociais que promove em favor dos xiitas que faz com que muitos o qualifiquem como “um Estado dentro do Estado”.

AFP
Imagens do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e do mapa do Líbano são vendidas em loja em Dahyeh, no sul de Beirute (foto de arquivo)

“O grupo combina as funções de milícia com uma rede de serviço sociais e de provedor de trabalho”, afirma o cientista político Augustus Richard Norton em seu livro "Hezbollah: A Short History" (Hezhollah: Uma Breve História, em tradução livre). “Os esforços de reconstrução do Hezbollah depois da guerra de 2006 foram considerados melhores do que a resposta do governo americano à destruição provocada pelo furacão Katrina (2005)”, segundo o texto.
Ainda é incerto, contudo, se o grupo vai conseguir manter sua força e identidade frente aos novos desafios surgidos com a instabilidade na Síria. Nasrallah prometeu publicamente empenhar seus esforços para a sobrevivência do regime do presidente sírio , Bashar al-Assad.
“A decisão de mandar forças para a Síria marca uma importante mudança no Hezbollah, ao deixar o sul do Líbano potencialmente exposto a Israel. A medida deixou muitos xiitas libaneses preocupados que o Hezbollah esteja mais comprometido com suas alianças com o Irã e a Síria de Assad do que com o seu país”, afirmou o pesquisador do Oriente Médio Robert Danin, em uma análise para o Council on Foreing Relations.

Fonte: Último Segundo.

Quais os desafios da esquerda egípcia depois da destituição de Mursi?

“Grande vitória para a esquerda!”. A avaliação sobre a destituição de Mohamed Mursi é unanimidade entre ativistas egípcios que destacam o caráter reacionário do presidente da Irmandade Muçulmana e a importância da mobilização de mais de 30 milhões de pessoas. Entre clamores sobre a “democracia real”, que viria das ruas e não das urnas, militantes e analistas vinculados a setores de esquerda vislumbram, no entanto, um cenário de grandes dificuldades pela frente.
Novas eleições parlamentares e presidencial, redação de uma nova Constituição, conquistar justiça social e direitos trabalhistas, democratizar as instituições e manter a população mobilizada são apenas alguns dos desafios que os ativistas egípcios têm de enfrentar nesse novo momento político. Se a saída de Mursi foi positiva por abrir novos horizontes e possibilidades para a esquerda, também acendeu caminhos para grupos da direita. De organizações vinculadas ao antigo regime de Hosni Mubarak à organização salafista, muitos estão na disputa pelo vazio de poder deixado com a destituição do presidente.

Agência Efe
Seguidores de Mohamed Mursi protestam no Egito para pedir pela sua volta 

“É uma situação ambígua”, define o autor do livro “The People Want”, Gilbert Achcar. “Por um lado, a esquerda apenas pode ganhar com a queda da Irmandade Muçulmana, porque competem com a organização religiosa por apoio popular”. Por outro lado, o analista acrescenta outros grupos reacionários, do qual destaca as Forças Armadas, que parecem se beneficiar com a situação.

“Quando existe unanimidade da nação contra o regime, não existe unanimidade pelo alternativo”, afirma o economista marxista egípcio, Samir Amin. “O que vemos hoje no Egito é um grande espectro de classes sociais, interesses políticos, visões ideológicas”, conclui ele. Na análise de Mamdouh Habashi, fundador do recente Partido Socialista do Egito, não são membros da esquerda que estão liderando o processo revolucionário – basta olhar para a composição do gabinete de transição.

Minoria mobilizada

De grupos jovens a partidos tradicionais, de ideais socialistas aos comunistas e de organizações formadas depois dos protestos contra Hosni Mubarak às mais antigas, a esquerda no país é composta por diferentes vertentes com importante repercussão entre sindicatos, intelectuais, artistas e estudantes. Entre os grupos de maior destaque no cenário atual estão aqueles que seguem a corrente nacionalista de esquerda fundada pelo ex-líder egípcio Gamal Nasser, como o Tamarrod (rebelde na tradução em português), que coletou mais de 20 milhões de assinaturas contra Mursi, e o movimento Corrente Popular, liderado por Hamdeem Sabahi, terceiro colocado na eleição presidencial de 2012. Figuras de Nasser se tornaram cada vez mais comum nas mãos de manifestantes desde o protesto do dia 30 de junho contra o presidente da Irmandade Muçulmana. 

Wikicommons
Hamdeem Sabahi, terceiro colocado nas últimas eleições presidenciais no Egito 

“Um mês antes do protesto do dia 30 de junho, eu havia dito a companheiros que os cinco milhões que votaram por Sabahi são minoria, mas os únicos capazes de mobilizar”, avalia Amin. “Os mais de dez milhões que escolheram Mursi votaram porque estavam recebendo um quilo de arroz, de açúcar, de sal – o que, na crise econômica de hoje, é um banquete!”, conclui ele.

Os anos de 2012 e 2013 foram recordes em mobilizações no Egito: segundo dados do Centro de Direitos Econômicos e Sociais, apenas no ano passado, aconteceram 581 protestos, 514 greves e 500 ações diretas pacíficas. O protesto do dia 30 de junho contra Mursi, que reuniu mais de 30 milhões segundo estimativas oficiais, “foi maior do que qualquer dia da primeira revolução”, lembra a jornalista e ativista do partido Socialistas Revolucionários, Gigi Ibrahim, que teve papel ativo nas manifestações contra Mubarak.

“O problema é que muito do crédito pelas mobilizações foi roubado pelas Forças Armadas no sentido que os militares são os principais beneficiados com a destituição de Mursi e nos olhos da opinião pública”, analisa Achcar, lembrando que a popularidade do Exército cresceu. “E a esquerda, ou ao menos, boa parte da esquerda egípcia, está compartilhando ilusões sobre as Forças Armadas serem amigos do povo. Isso é extremamente perigoso”, conclui.

Como a esquerda perdeu o bonde

Mursi, primeiro presidente egípcio eleito depois dos protestos da Primavera Árabe, foi destituído pelas Forças Armadas no dia 3 de julho depois de uma grande mobilização nas ruas em um processo muito semelhante ao que retirou Mubarak do poder em fevereiro de 2011. “Os militares eram a única força capaz de retirar o presidente da Irmandade Muçulmana”, explica Ibrahim em coro a tantos outros ativistas, incluindo os membros do Tamarrod.

Na visão do analista Esam Al Amin, autor do livro “The Arab Awakening Unveiled: Understanding Transformations and Revolutions in the Middle East”, grupos vinculados ao antigo regime de Mubarak também estão se beneficiando com a saída do presidente da Irmandade Muçulmana. “Talvez o erro mais sério cometido pelos grupos revolucionários tenha sido o de subestimar os perigos dos ‘fulool’ que continuam em controle do aparato de segurança, da maioria da mídia privada, do judiciário, como também de indústrias e instituições econômicas influentes”, escreveu ele em artigo no site Counterpunch.
“O principal problema no processo de destituição de Mubarak, em janeiro e fevereiro de 2011, foi que as forças revolucionárias não tinham a organização necessária para tomar o poder. E as duas forças no país que tinham esse poder eram a Irmandade Muçumana e as Forças Armadas, que dividiram o poder”, analisa Habashi. “Nessa segunda onda revolucionária, é quase o mesmo”, conclui.

Novas condições, novos problemas

Apesar de ter perdido espaço no processo de transição para setores liberais e de direita, os analistas consultados por Opera Mundi ainda vislumbram um campo de sucesso para os grupos de esquerda.

Na visão de Habashi e Amin, companheiros de organização no Egito, existem melhores condições de luta com o gabinete de transição que assumiu o poder. Mais respeito ao direito a se organizar e manifestar, liberdade de expressão, entre outros avanços, foram listados pelos militantes. Ibrahim, que pertence a outro partido, concorda que o momento é positivo: “podemos construir uma constituição sólida com leis eleitorais corretas”.

“É um grande passo para as forças revolucionárias porque mudamos as condições, não porque temos, agora, um governo revolucionário”, conclui Habashi. “Essa é apenas mais uma onda da mesma revolução e nós vamos continuar lutando pela revolução”, concorda a ativista do partido Socialistas Revolucionários.

Em pouco tempo no poder, o gabinete de transição já tomou uma decisão de grande importância para a luta trabalhista. O presidente da Federação Egípcia de Sindicatos Independentes (EFITU na sigla em inglês), Kamal Abu Eita, foi nomeado ministro do Trabalho. “Isso significa que é alta a probabilidade da lei de liberdade sindical, que permite aos trabalhadores se organizarem independentemente do Estado, passar”, avalia Achcar. “Por outro lado, teremos que ver se esse homem vai colocar os interesses do sindicato acima do Ministério”, pontua.

Na análise de Achcar, a esquerda tem chances reais de vencer o próximo pleito presidencial desde que consiga construir uma identidade sólida. “Pense numa coisa: no primeiro turno da eleição de 2012, o candidato da esquerda, o nasserista Sabbahi, ficou em terceiro lugar sem ter nenhum recurso financeiro como Mursi e Ahmed Shafiq”, lembra ele a Opera Mundi.

Segundo o professor, o contexto socioeconômico é muito favorável para um candidato com programa progressista, com foco na justiça social e em uma resolução da crise econômica que fuja dos preceitos neoliberais. Como argumenta em seu novo livro, tanto Mubarak quanto Mursi caíram porque não conseguiram resolver o problema da grande maioria dos egípcios: a pobreza e o desemprego cresceram, os preços e a inflação aumentaram e a vida está cada vez mais difícil.

“Por outro lado”, ressalva ele, “se a esquerda realizar alianças com liberais, membros do antigo regime e espalhar essas ilusões sobre os militares, não conseguirá pautar a política”. “Enquanto os verdadeiros problemas socioeconômicos não forem resolvidos e a insatisfação crescer, iremos assistir a novas ondas de polarização e radicalização no Egito”, conclui.

O que a América Latina tem a ensinar ao Egito

Caso o Egito eleja um presidente que rompa com os acordos do FMI e ofereça soluções progressistas à crise socioeconômica – nas palavras de Amin, “que realize um outro padrão de desenvolvimento econômico e social”. “Mursi era um presidente de direita e perdeu o apoio popular, isso é claro”, afirma o professor de política da SOAS. “Mas sabemos por experiência histórica que os militares podem intervir novamente contra um presidente de esquerda e com apoio popular real”, argumenta. Segundo Achcar, o golpe contra Salvador Allende em 1973 pelos militares chilenos é uma prova desse perigo.

Por esta razão, o professor aponta que, para avançar, a esquerda egípcia precisa enfrentar o seu principal problema: as Forças Armadas do país. “Os movimentos populares e de esquerda devem conquistar os soldados e não construir ilusões em relação aos oficiais de alta patente”, afirma ele a Opera Mundi. “Enquanto os militares não mudarem, será difícil assistirmos a uma vitória da esquerda”, conclui.

Agência Efe
A Irmandade Muçulmana promete continuar nas ruas até que Mursi seja devolvido ao poder

Não é preciso retroceder na história para encontrar exemplos de esquerda dentro das Forças Armadas que tiveram sucesso: foi o caso do Egito em 1956 com Nasser e da Venezuela em 1998. Segundo Achcar, um dos principais espelhos para os ativistas egípcios não deve ser apenas Nasser, mas também Hugo Chávez que combinou o nacionalismo socialista com preceitos democráticos.

“A América Latina tem muitos exemplos recentes governos de esquerda bem sucedidos; os egípcios devem se atentar a isso”, aconselha.

Fonte: Opera Mundi.

Forças Armadas do Egito: salvadores da revolução ou inimigos do povo?

Quase dois meses depois da deposição de Mohamed Mursi, milhões de egípcios ainda saem às ruas para demonstrar apoio às Forças Armadas do país. Estimativas oficiais indicam a presença de cerca de dezenas de milhões de pessoas em alguns protestos, que carregam cartazes com fotos do general Abdel Fattah al Sisi, chefe da organização militar e responsável pela deposição de Mursi, presidente egípcio até o dia 3 de julho e líder da Irmandade Muçulmana. “Heróis nacionais”, “amigos do povo”, “salvadores da revolução” eram apenas alguns dos elogios escutados entre a multidão.

É inegável – pelo número de pessoas nas ruas – que as recentes ações das Forças Armadas do Egito contam com o respaldo de boa parte da população do país. Basta lembrar que os oficiais decidiram retirar Mursi do poder depois de uma das maiores marchas da história moderna, que reuniu ao menos 30 milhões contra o presidente, segundo as estimativas oficiais. O rápido retorno dos militares aos pedidos do povo contra Mursi lhes rendeu popularidade e confiança, possibilitando que pudessem caracteriza-los como os representantes da pátria.

Diferentemente de fevereiro de 2011, quando retiraram o também militar Hosni Mubarak da presidência, os oficiais passaram o governo de transição para as mãos de um comitê civil: o juiz Adly Mansour foi nomeado como presidente interino e o Nobel da Paz e líder opositor, Mohamed El Baradei, como vice-presidente. Alguns atribuem a mudança de posicionamento ao novo líder do Exército, general Sisi, que substituiu o marechal Hussein Tantawi no cargo, em agosto de 2012, depois de uma ordem de Mursi.

Agência Efe
Após Forças Armadas anunciarem saída de Mursi, dezenas de milhões de egípcios comemoraram nas ruas, em 03/07

Muitos analistas e ativistas de esquerda alertam, no entanto, que as Forças Armadas estão atuando apenas de acordo com os interesses da corporação. “Muitos egípcios esqueceram que, antes da eleição de Mursi, eles estavam lutando contra os militares, porque o SCAF (Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito na silga em inglês) comandava o país de uma forma ditatorial”, afirma a Opera Mundi o professor de política da SOAS (Escole de Estudos Orientais e Africanos na sigla em inglês) e especialista em Oriente Médio, Gilbert Achcar.

O analista, que é também autor do livro “The People`s Want: A radical exploration of the Arab Uprising”, lembra que o Exército era a coluna vertebral do regime ditatorial derrubado na primeira onda revolucionária, no início de 2011. Representantes do povo ou amigos do antigo regime? Salvadores da revolução ou força reacionária? Afinal, qual a história por trás da organização que derrubou os dois últimos governos no Egito?

Casta militar, elite econômica

Como os recentes acontecimentos demonstraram, as Forças Armadas do Egito continuam sendo um ator central na dinâmica política do país. Os militares derrubaram a monarquia, em 1952, sob a liderança do general Gamal Abdel Nasser e, desde então, permaneceram como uma força decisória: foram eles que tomaram à frente dos protestos, em 2011 e 2013, tirando, respectivamente, Mubarak e Mursi.

Mas, entre as décadas que separam os tempos nasseristas dos dias atuais, o perfil da organização sofreu grandes mudanças. “O ponto de virada foi em 1970, quando Anwar Sadat assumiu o poder como sucessor de Nasser”, explica a Opera Mundi o economista marxista e membro do Partido Comunista do Egito, Samir Amin. “Sadat era um agente da CIA e sua primeira decisão foi acabar com o socialismo nasserista”, acrescenta ele, que trabalhou na administração de Nasser.

Ao abrir as portas do país para investimentos privados, Sadat foi responsável por reverter os rumos da política socioeconômica desenvolvida nos anos anteriores com Nasser, que nacionalizou os meios de produção e implementou serviços públicos universais. Sadat também mudou, completamente, a política externa do Egito, aproximando-se de Estados Unidos e Israel com os acordos de Camp David, em 1978.

Não menos profunda foi a modificação ocorrida nas Forças Armadas: se antes a ideologia dominante era o socialismo nacionalista, a partir dos tempos de Sadat, a corporação militar passou a assumir os interesses da elite. Atualmente, nas palavras do analista Jim Kanavagh, o Exército egípcio constitui uma “casta econômica e militar”. 

Segundo dados divulgados pelo analista Esam Al Amin, as Forças Armadas do Egito controlam cerca de um terço da economia do país com envolvimento em diferentes setores, desde a produção de azeite à confecção de urnas eleitorais. As propriedades foram adquiridas durante o processo de privatização dos anos 90, sob a liderança de Mubarak, e por meio de uma rede de favorecimento aos oficiais de alta patente. Além disso, a corporação recebe uma “ajuda” dos EUA de 1,5 bilhões de dólares por ano.  

“Seus milhares de oficiais de elite guardaram, zelosamente, seus postos privilegiados ao longo dos anos e enriqueceram por meio de contratos governamentais e negócios facilitados por suas posições”, escreve o jornalista Ben Hubber para o New York Times. “Eles formaram uma casta hereditária, na qual os filhos seguem a carreira de seus pais, e vivem em um circulo social fechado”, acrescenta ele.

Blindados da interferência civil em seus assuntos, a organização não passa por processos de auditorias nem divulga os números de seus cofres, tomando decisões sem o conhecimento público. Na avaliação de Al Amin, esta é uma situação que os militares estão determinados a manter com unhas e dentes. “Eles não querem políticos ou grupos interferindo em seus processos decisórios, sobretudo naquilo que se refere aos seus conglomerados financeiros e temas de segurança nacional”, escreveu o analista.

Defensores do livre comércio e das receitas neoliberais – nas palavras do ministro das Finanças do país-, as Forças Armadas não querem transformar o quadro social que sustenta o regime. “Os militares não são amigos do povo”, opina Achcar. “Eles têm seus próprios interesses como uma máquina; possuem vínculos estreitos com os EUA; eram a estrutura do antigo regime; e, neste sentido, o regime no Egito continua o mesmo”, alerta ele.

Por trás dos cargos, o verdadeiro poder

“Sisi, como chefe das Forças Armadas, foi muito esperto”, avalia Amin. “Ele sabia que se tivesse tomado uma posição diferente, teria perdido o apoio de oficiais de médio e baixo escalão dentro da corporação”, acrescenta ele em referência a deposição de Mursi. O economista, autor de diversos livros sobre o país, acredita que o general tomou a decisão certa, sob o prisma da organização, em escolher civis, de diretrizes conservadoras e liberais, para compor o governo de transição.

Achcar observa que os militares aprenderam as lições de quando, em vez de nomear um comitê civil para governar o país, permaneceram como o conselho administrativo depois de retirar Mubarak da presidência. Durante o período, a organização perdeu popularidade entre o povo egípcio, que acusou os militares de não resolverem os problemas sociais e políticos do país.

“Eles foram muito mais espertos, desta vez”, afirma a Opera Mundi o professor. “Eles não querem governar diretamente, porque sabem que a situação é extremamente difícil do ponto de vista econômico e social. Essa é a verdadeira razão da queda da Irmandade Muçulmana: eles não foram rejeitados por tantas pessoas por causa de questões culturais ou políticas, mas, sim, por falharam em aliviar e resolver o problema social”, acrescenta.

Os militares não têm um programa para solucionar a grave situação socioeconômica do país, porque são um dos beneficiadores das políticas neoliberais que levaram o Egito à crise.  Mas, ao mesmo tempo, reconhecem que, se assumirem o poder, se tornarão inimigos das massas insatisfeitas com a pauperização.

“Apesar disso, eles serão o poder real, o único poder real no país”, avalia Achcar. “Nós veremos, rapidamente, neste conflito com a Irmandade Muçulmana, que as Forças Armadas são a coluna vertebral do regime e da ordem econômica do país”, conclui.

Os momentos de exceção revelam, de forma visível, a essência da autoridade do Estado. A definição do pensador Carl Schimitt indica que aqueles que tomarem as decisões, no estado de exceção, são os verdadeiros soberanos. No caso do Egito, fica claro que os verdadeiros soberanos permanecem sendo os militares, mesmo depois de tantas mobilizações e mudanças.

Fonte: Opera Mundi.

Agência dos EUA pagou milhões a empresas por colaboração em espionagem.

A NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA, na sigla em inglês) pagou milhões de dólares às empresas de tecnologia, entre as quais Google e Facebook, que colaboravam com seu programa de espionagem Prism, depois que uma corte norte-americana declarou inconstitucionais algumas das práticas da agência. As informações foram obtidas pelo jornal britânico The Guardian, que as publicou nesta sexta-feira (23/08). 
Wikicommons

Logo do programa Prism; a NSA afirma que empresas como Google e Microsoft colaboraram. 



As empresas de tecnologia, que, segundo a NSA incluíam ainda Microsoft e Yahoo!, tiveram altos custos para regularizar suas relações com a agência e cumprir as exigências do Fisa (Tribunal de Vigilância de Inteligência Estrangeira dos EUA, na sigla em inglês): em outubro de 2011, foi decidido que a incapacidade da agência de separar comunicações puramente domésticas das estrangeiras violava a Quarta Emenda da Constituição norte-americana.



Apesar de a decisão não se referir especificamente ao Prism, os documentos fornecidos ao Guardianpelo ex-analista da CIA Edward Snowden revelam os problemas que essa ordem gerou para a NSA e seus esforços para continuar com as operações do programa. Essa é a primeira evidência de uma relação financeira entre a agência e as companhias que colaboravam com ela.



A NSA pedia ao Fisa que assinasse “certificados” anuais que forneciam o quadro legal para operações de vigilância. Depois do julgamento, entretanto, estes começaram a ter caráter temporário enquanto a agência trabalhava em uma solução para as ações que tinham sido declaradas ilegais.

Em um boletim marcado como secreto e datado de dezembro do ano passado, a agência descreve como as múltiplas extensões para as datas de vencimento dos certificados, as quais “custaram milhões de dólares para que os provedores do Prism as instalassem - custos cobertos pelas Operações de Fontes Especiais”. Essa seção se dedica a controlar todos os programas de espionagem e já foi descrita por Snowden como “jóia da coroa” da NSA.


A revelação de que dinheiro obtido por meio de pagamentos de impostos foi usado para cobrir os custos dessas empresas de tecnologia traz à tona novas questões sobre a relação entre o Vale do Silício e a NSA. Desde que os documentos de Snowden foram publicados pela primeira vez, peloGuardian e pelo Washington Post, as companhias negaram ter conhecimento do Prism e insistiram que só entregavam informações quando eram requisitadas formalmente pelas autoridades.



Explicação das companhias


Convidadas pelo Guardian, algumas empresas comentaram as novas revelações. Um porta-voz do Yahoo! declarou que “a lei federal exige que o governo dos EUA reembolse os fornecedores pelos custos decorrentes processos legais compulsórios impostos pelo governo. Nós pedimos reembolso considerando esta lei”.



O Google voltou a negar que tenha colaborado com o Prism ou com qualquer outro programa de vigilância, acrescentando que aguardam “resposta do governo norte-americano à nossa petição para publicar mais dados requeridos para a segurança nacional, que provarão que nossa colaboração com as leis de segurança nacional dos EUA está muito aquém das reivindicações selvagens feitas na mídia atualmente”.



O Facebook declarou que “nunca recebeu qualquer remuneração decorrente de ter respondido ao pedido do governo por dados”. A Microsoft não quis comentar o caso. A NSA também não respondeu às novas denúncias.



Violação da lei



Também hoje, a NSA admitiu à Bloomberg que alguns de seus analistas deliberadamente infringiram as leis criadas para proteger os norte-americanos, contrariando a declaração de Obama de que todas as violações a essas regras haviam sido feitas inadvertidamente.



Um relatório do inspetor-geral da NSA foi responsável por tornar público que alguns analistas optam por ignorar os chamados "procedimentos de minimização" destinados a proteger a privacidade das pessoas, segundo funcionários disseram à agência de notícias.



Em entrevista à CNN que foi ao ar hoje, o presidente Barack Obama havia dito que não existiam alegações de que "propositalmente alguém está tentando abusar do programa ou espionar e-mails das pessoas" e que ele estava "confiante" nisso. 

Fonte: Opera Mundi.

domingo, 4 de agosto de 2013

Conheça o Black Blocks.

Na onda de protestos atual alguns grupos têm chamado a atenção pela atuação violenta. Em destaque, estão os  Black Blocks, grupos temporários formados por anarquistas. Eles se vestem de preto e usam máscaras para garantir o anonimato.
"Lembre que o que eles fazem conosco todos os dias é uma violência", afirma um manual para grupos do tipo divulgado no Facebook. Nas redes sociais, integrantes de Black Blocks compartilham conteúdo relativo às suas ideias e ações.
Black Block Brasil
Cerca de 15 mil pessoas já curtiram o Black Block Brasil, grupo ligado ao tema criado em 2012 no Facebook. A foto de capa da página mostra manifestantes quebrando a estação de metrô Trianon, em São Paulo. Em outra imagem publicada recentemente no grupo, manifestantes queimam uma bandeira do Brasil.
Outra página ligada ao movimento é a Black Block Rio, que conta com cerca de 3 mil fãs. O último vídeo postado no grupo mostra imagens que teriam sido gravadas por volta das 20h de ontem perto do Sambódromo do Rio. Nelas, pessoas atacam com rojões e pedaços de pau um caveirão, veículo blindado usado pela Polícia Militar do Rio.
Os Black Blocks também estão presentes em outras partes do mundo, como o Egito. Um vídeo relacionado ao tema divulgado pelo Youtube resume bem o espírito desse tipo de iniciativa: "Os ativistas de Black Bloc não são manifestantes. Eles não estão lá para protestar".
Eles se distinguem de dois outros tipos de Blocks: os Pink Blocks, que fazem passeatas pacíficas e divertidas, como a Parada Gay, e os White Blocks, que promovem passeatas pacifistas, inspirados por Gandhi.
Assista aqui a Black Bloc - Introdution, vídeo muito compartilhado nos grupos ligados ao tema. Está em inglês:

Veja também as imagens do ataque a um caveirão nas manifestações  no Rio:
Fonte: Exame Abril.