quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Mujica critica sociedade capitalista em discurso na ONU.

O presidente do Uruguai, José Mujica, criticou duramente o consumismo durante seu discurso na 68º Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (24/09). “O deus mercado organiza a economia, a vida e financia a aparência de felicidade. Parece que nascemos só para consumir e consumir. E quando não podemos, carregamos frustração, pobreza e autoexclusão”, afirmou.

No discurso, que durou 40 minutos, ele também elogiou a utopia “de seu tempo”, mencionou sua luta pelo antigo sonho de uma “sociedade libertária e sem classes” e destacou a importância da ONU, que se traduz para ele um “sonho de paz para a humanidade”.

Aos jornais uruguaios, Mujica prometeu um “discurso exótico” e fugiu do protocolo ao dizer que “tem angústia pelo futuro” e que nossa “primeira tarefa é salvar a vida humana”. “Sou do Sul (...) e carrego inequivocamente milhões de pessoas pobres na América Latina, carrego as culturas originárias esmagadas, o resto do colonialismo nas Malvinas, os bloqueios inúteis a Cuba, carrego a consequência da vigilância eletrônica, que gera desconfiança que nos envenena inutilmente. Carrego a dívida social e a necessidade de defender a Amazônia, nossos rios, de lutar por pátria para todos e que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz, com o dever de lutar pela tolerância”.

A humanidade sacrificou os deuses imateriais e ocupou o templo com o “deus mercado, que organiza a economia, a vida e financia a aparência de felicidade. Parece que nascemos só para consumir e consumir. E quando não podemos, carregamos a frustração, a pobreza, a autoexclusão”. No mesmo tom, ressaltou o fracasso do modelo adotado no capitalismo: “o certo hoje é que para a sociedade consumir como um americano médio seriam necessários três planetas. Nossa civilização montou um desafio mentiroso”.

Agência Efe
Uruguaio criticou altos gastos dos países com armamentos

Para o presidente, o atual modelo de civilização “é contra os ciclos naturais, contra a liberdade, que supõe ter tempo para viver, (…) é uma civilização contra o tempo livre, que não se paga, que não se compra e que é o que nos permite viver as relações humanas”, porque “só o amor, a amizade, a solidariedade, e a família transcendem”. “Arrasamos as selvas e implantamos selvas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com remédios. E pensamos que somos felizes ao deixar o humano”.

Paz e guerra

“A cada 2 minutos se gastam dois milhões de dólares em insumos militares. As pesquisas médicas correspondem à quinta parte dos investimentos militares”, criticou o presidente ao sustentar que ainda estamos na pré-história: “enquanto o homem recorrer à guerra quando fracassar a política, estaremos na pré-história”, defendeu.

Assim, criamos “este processo do qual não podemos sair e causa ódio, fanatismo, desconfiança, novas guerras; eu sei que é fácil poeticamente autocriticarmos. Mas seria possível se firmássemos acordos de política planetária que nos garantam a paz”. Ao invés disso, “bloqueiam os espaços da ONU, que foi criada com um sonho de paz para a humanidade”.

O uruguaio também abordou a debilidade da ONU, que “se burocratiza por falta de poder e autonomia, de reconhecimento e de uma democracia e de um mundo que corresponda à maioria do planeta”.

“Nosso pequeno país tem a maior quantidade de soldados em missões de paz e estamos onde queiram que estejamos, e somos pequenos”. Dizemos com conhecimento de causa, garantiu o mandatário, que “estes sonhos, estes desafios que estão no horizonte implicam lutar por uma agenda de acordos mundiais para governar nossa história e superar as ameaças à vida”. Para isso é “preciso entender que os indigentes do mundo não são da África, ou da América Latina e sim de toda humanidade que, globalizada, deve se empenhar no desenvolvimento para a vida”.

“Pensem que a vida humana é um milagre e nada vale mais que a vida. E que nosso dever biológico é acima de todas as coisas, impulsionar e multiplicar a vida e entendermos que a espécie somos nós” e concluiu: “a espécie deveria ter um governo para a humanidade que supere o individualismo e crie cabeças políticas”.

Fonte: Opera Mundi e Portal Vermelho.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Síria, programa nucelar iraniano e espionagem concentram atenções na Assembleia Geral da ONU.

Tem início nesta terça-feira (29/09), em Nova York, os discursos dos chefes de Estado que marcam a 68º Assembleia Geral da ONU. O encontro conta com a presença de mais de 130 líderes mundiais. Como manda a tradição iniciada desde 1947, o discurso inicial dos chefes de Estado fica a cargo do Brasil, representado pela presidente Dilma Rousseff.

Embora oficialmente o tema escolhido seja a formulação de alternativas para os Objetivos do Milênio, a guerra civil na Síria deverá ser o foco de atenção, assim como o programa nuclear iraniano, e a rede de espionagem internacional montada pelos EUA para investigar outros países, tema que deverá ser abordado por Dilma. O terrorismo deve ser outro tema levado à tona, com a atual crise de reféns em um shopping center do Quênia tomado pelo grupo radical Al Shabab.

Wikimedia Commons
Sede da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York

Sobre a questão síria, os Estados Unidos ameaçaram recentemente realizar uma intervenção militar em represália por um ataque com armas químicas que atribui ao presidente Bashar al Assad. Mas essa alternativa foi freada após a intervenção diplomática da Rússia, que conseguiu fazer com que o país árabe aceitasse destruir seu arsenal químico.

Este plano russo-americano pode conduzir à aprovação da primeira resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a Síria após três tentativas bloqueadas por Moscou.

Outra grande expectativa é o encontro entre o ministro do Exterior do Irã, Mohammed Javad Zarif, com o secretário de Estado americano, John Kerry - o contato de mais alto nível entre iranianos e americanos em mais de três décadas. Os dois se sentarão à mesa do grupo de seis países (Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha) que negocia com o Irã o programa nuclear do país persa.

Analistas buscarão sinais de retribuição à abertura manifestada pelo presidente iraniano, Hassan Rouhani, no discurso que o presidente dos EUA, Barack Obama, fará logo após o de Dilma.

Em seu discurso, Dilma questionará também a governança da internet, propondo maior proteção contra ações como as organizadas pela NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), denunciadas pelo ex-consultor de inteligência norte-americana Edward Snowden - no caso do Brasil, mostrando que as conversas da presidente e seus assessores foram interceptados pelo órgão.

A Assembleia Geral é um órgão intergovernamental, plenário e deliberativo da ONU, composta por todos os países-membros da entidade. Cada um deles tem direito a voto. Sobre os processos de deliberação, as questões importantes são votadas por maioria de dois terços dos votantes enquanto as questões restantes são votadas por maioria simples. Ela ocorre uma vez por ano na sede das Nações Unidas, em Nova York, na terceira terça-feira do mês de setembro. Foi realizada pela primeira em 1946, no ano seguinte à fundação da entidade.

Fonte: Opera Mundi

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

As armas químicas do Brasil: os agrotóxicos.

O Brasil ocupa, há três anos seguidos, o posto de maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Segundo dados do Ministério da Agricultura, do IBGE e do Sindicado Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agropecuária (SINDAG), em 2011, o País consumiu 852,8 milhões de litros de agrotóxicos, consumo este que aumentou em, aproximadamente, 80% em relação ao ano de 2002.
Caso essas centenas de milhões de litros de agrotóxicos fossem distribuídos entre os quase 200 milhões de habitantes, cada brasileiro ingeriria, em média, 4,3 litros  por ano.  Nos últimos 10 anos, enquanto o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, o brasileiro cresceu duas vezes mais, o equivalente a 190%. Uma das facilidades dada pelo governo brasileiro é a isenção de impostos sobre eles.
Diário do Comércio entrevistou especialistas em toxicologia e em agronomia para entender o cenário agrícola do País em relação a estes agentes químicos, que são usados, segundo informou Luis Eduardo Rangel, coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas (DFIA),  para combater pragas em 98% das lavouras brasileiras, e que movimentam R$ 19,36 bilhões, segundo dados de 2011 do SINDAG.
Para Karen Friedrich, toxicologista do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), existem duas esferas de problemas: a esfera do governo e a esfera do produto em si.
"Deve-se parar de usar agrotóxico. Os danos que ele causa ao meio ambiente e ao corpo humano são, na maioria das vezes, irreversíveis. Outra questão, dentro de um país no qual o agrotóxico é permitido, é a limitação do governo em fiscalizar e atualizar os registros feitos por órgãos federais."
Karen participou da elaboração do dossiê "Um alerta sobre os impactos dos Agrotóxicos na Saúde" da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) publicado em 2012, no Rio de Janeiro, durante reunião mundial sobre nutrição e alimentos.
Intoxicação – O Dossiê da ABRASCO aponta que um terço dos alimentos consumidos todos os dias pelos brasileiros está contaminado por agrotóxicos. Do total de amostras recolhidas para o estudo por parte da Anvisa, 68% delas apresentaram contaminação, sendo que 28% eram feitas de ingredientes ativos não autorizados pelo governo. 
 Dos alimentos recolhidos os mais contaminados – em ordem de percentual de agrotóxico – foram pimentão (91,8%), morango (63,4%), pepino (57,4%) e alface (54,2%).
De acordo com a Associação Nacional de Defesa Animal, em entrevista ao DC,  "o setor de defensivos agrícolas (os agrotóxicos) apresenta o grau de regulamentação mais rígido do mundo", uma vez que "inúmeros estudos toxicológicos são requeridos e avaliados pelas agências de regulamentação de cada país".
 No caso do governo Brasil, para Eduardo Daher, diretor-executivo da Andef, pelos agrotóxicos passarem pela análise do Ministério da Saúde, da Agricultura e da Saúde, eles são "plenamente seguros para os trabalhadores rurais e consumidores  dos alimentos".
Karen, a toxicologista da FioCruz discorda. "O trabalhador que está ali na hora da utilização, mesmo com o equipamento exigido pelo governo, é exposto a uma dose bem elevada". E esta exposição origina os chamados "efeitos agudos", que são vômitos, dor de cabeça, diarreia, tremor, coceira, irritação ocular e da mucosa. "Dependendo do nível de exposição, pode causa a morte em semanas ou meses – caso o rim seja afetado, caso evolua para uma cirrose ou em câncer", afirma.
Contaminação – No dia 3 de maio deste ano, 92 pessoas de uma escola – entre funcionários e crianças – foram envenenadas em Rio Verde, em Goiás, depois que um avião pulverizou agrotóxico com pretensão de atingir uma lavoura próxima.
 "Pelo vento, o produto caiu sobre as pessoas. Muitas absorveram pela pele, outra que estavam comendo, pela boca e outra inalaram. E, na maioria dos casos, houve mais de um tipo de absorção", lembrou Karen Friedrich. Outro tipo de intoxicação é a do consumidor que, mesmo ingerindo quantidades pequenas a cada dia – e em cada alimento – no decorrer de anos, décadas, pode apresentar os chamados efeitos crônicos. "Os danos aparecem no sistema reprodutivo, imunológico, hormonal e motor".
Registro – Cada nova fórmula de agrotóxico deve ser registrada, a pedido da empresa produtora, no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Mas, antes de emitir o registro, o MAPA recolhe amostras do produto para dar para o IBAMA,  ANVISA e para os técnicos de dentro do ministério analisarem. Então, a partir dos laudos dos três, o Ministério da Agricultura registra ou não. Caso algum ingrediente ativo, de algum agrotóxico, seja questionado, o registro é reavaliado novamente por esses três órgãos."
"Estudos científicos começam a levar em conta outros aspectos da toxicidade do produto, e os danos, que não eram vistos antes, surgem. O governo precisa perceber isso. Mas hoje são raras as atualizações de registro. E, quando ocorrem, são muito lentas", disse a toxicologista da FioCruz.
Fiscalização – A fiscalização do comércio e da adequação quanto às normas de uso e de equipamento de proteção é de responsabilidade das secretarias estaduais do meio ambiente. O Ministério da Agricultura só responde pela importação e pelas fábricas. Ao todo, são dez fiscais federais ligados ao MAPA, segundo o Coordenador-Geral de Agrotóxicos do Ministério.
Para o professor de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutor em Ecologia pela Universidade da Califórnia, Aldo Merotto Júnior, o maior problema do Brasil é a falta de fiscalização – "devido à falta de estrutura dos órgãos públicos" – e da deficiência em se definir e aplicar regras para o produtor. "O produtor não tem informação e, na maioria dos casos, começa a seguir normas que nem existem". Segundo ele, são três os processos que englobam a questão dos agrotóxicos: a fabricação, a venda e o consumo. E para cada uma delas existe uma regra federal, especificada de acordo com cada Estado.
"É o caso do receituário agrônomo, que funciona como uma receita médica na compra de um remédio. O vendedor do agrotóxico deve exigir a apresentação deste receituário quando o produtor fosse comprar".
Mas, segundo Merotto, o receituário é dado pelo próprio vendedor do agrotóxico àquele que está comprando – e ele mesmo (o vendedor) assina o documento, quando quem deveria fazê-lo, pela lei,  é o engenheiro agrônomo. "Como se você, na hora em que fosse à farmácia comprar um remédio, o próprio farmacêutico é que te desse a receita e assinasse, se passando por um médico."
Avião despeja agrotóxico em bananal de Miracatu (SP). Este ano, em Goiás, 92 pessoas foram envenenadas desta forma. Na União Europeia a prática é proibida./Lalo de Almeida-Folhapress.
A situação do receituário piorou ainda mais, de acordo com o agrônomo, quando leis estaduais permitiram que o receituário fosse assinado por técnicos agrícolas, "profissionais de ensino médio, de 17 anos, que ainda nem têm maioridade penal".
Propostas – A  ABRASCO aponta, em seu dossiê, propostas alternativas ao agrotóxico para que, a médio prazo, eles parem de ser usados nas lavouras brasileiras.
Implantação de uma  política nacional a favor da agroecologia em detrimento do financiamento público dos agrotóxicos, criação de normas para combater as violações dos direitos humanos à alimentação e proibição de pulverização deles por via aérea, além de suspender a isenção de impostos sobre os agrotóxicos são algumas das propostas apresentadas.
Em contrapartida, a Associação Nacional de Defesa Vegetal defende que os agrotóxicos sejam "insumos  indispensáveis na agricultura em todo o mundo". "Conforme atesta a FAO, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, sem a tecnologia eficiente no controle de pragas a produção de alimentos cairia  cerca de 40%", afirma Eduardo Daher diretor-executivo da Andef,  que acrescenta: uma quebra do uso de agrotóxicos pode "causar sérios problemas sociais e econômicos ao País."
Fonte: Diário do Comércio.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Saiba o que é o sarin, arma química letal que teria sido usada no conflito sírio.

O sarin, uma das armas químicas supostamente usadas no guerra da Síria, foi descoberto acidentalmente em 1938 pelo químico alemão Gerhard Scharader durante uma síntese de defensivos agrícolas. Segundo o Centro de Controle de Prevenção de Doenças dos EUA, em sua forma pura o sarin é uma substância líquida sem cor e sem cheiro, mas também pode ser vaporizado para ser espalhado no ambiente. Estima-se que seja 500 vezes mais tóxico que o cianeto.
Reuters
Combatente do Exército Livre da Síria posiciona canhão dentro de casa em Jobar, Damasco (30/7)

Pelo seu potencial devastador, a ONU o considera uma “arma de destruição em massa”, banida desde 1997. Na quarta-feira, a organização anunciou um acordo com Damasco para permitir a entrada na Síria de uma equipe de inspetores para investigar supostos três ataques químicos no conflito de mais de dois anos. Em junho, os EUA disseram que as forças do presidente Bashar al-Assad cruzaram a "linha vermelha " ao usar armamento não convencional , incluindo o gás sarin, contra as forças rebeldes.
O sarin age sobre o sistema nervoso central, impedindo a enzima chamada de acetilcolinesterase de transmitir impulsos nervosos ao organismo. Com isso, os músculos se desordenam e os órgãos param de funcionar. Dependendo da concentração, ele pode matar em poucos minutos após ser inalado; se for absorvido pela pele, o processo é um pouco mais lento, demorando entre 20 e 30 minutos para aparecerem os primeiros sintomas.
Ao serem contaminadas, as vítimas costumam apresentar vômitos, dores de cabeça, espasmos musculares, convulsões, sudorese, insuficiência respiratória e diminuição dos batimentos cardíacos, entre outros sintomas.
Segundo o grupo de estudos Iniciativa de Ameaça Nuclear (NTI, na sigla em inglês), as armas químicas despertam menos atenção dos governos e do público do que as nucleares ou biológicas, mas os registros históricos mostram que elas são as armas de destruição em massa mais utilizadas. Isso porque quantidades relativamente pequenas podem produzir grandes estragos, e sua produção exige tecnologias mais simples do que as demais.
Já faz dez anos desde que o Gabinete de Análise Tecnológica dos EUA publicou uma nota alertando que os materiais necessários para a produção do sarin eram conhecidos havia 40 anos, com o procedimento de produção podendo ser adotado por laboratórios farmacêuticos de moderada tecnologia. Para completar, quantidades pequenas de sarin – como um ou dois quilos – podem ser produzidas em pequenos laboratórios, facilmente “escondidos” em zonas residenciais.
Apesar de a produção de sarin não demandar uma tecnologia de ponta, ainda assim a facilidade para sua produção é relativa. Se o país ou grupo não tiver acesso direto aos chamados “químicos precursores” corretos, a síntese (processo químico) para se chegar à substância metilfosfonofluorído exigirá equipamentos especiais, segundo o consultor em desarmamento Ralf Trapp, especialista em armas químicas. “É necessário um equipamento especial resistente à corrosão, por exemplo”, afirmou ao iG .
AP
Foto divulgada pela imprensa estatal mostra mesquita de Khalid Ibn al-Walid no disputado bairro de Khaldiyeh, em Homs, Síria (27/7)
A produção também costuma trazer dois problemas. O primeiro é a questão da segurança, pois o sarin é altamente tóxico e volátil. “Qualquer traço que escapar do equipamento de produção é extremamente perigoso para quem estiver fazendo a síntese”, afirmou Trapp. O segundo quesito é como fazer a purificação, processo necessário para estabilizar e armazenar o sarin. Se não for purificado, rapidamente ele se degrada, ou seja, perde suas características destrutivas.
Se a rápida degradação representa um problema para quem produz o sarin, essa característica também é um grande entrave para os investigadores que tentam determinar se a arma foi ou não usada. “O sarin em si só é detectável num curto espaço de tempo; no ambiente e em urinas, desaparece em questão de dias”, explicou o consultor. Como pode levar mais tempo para que inspetores independentes cheguem aos locais onde houve possíveis ataques, costumam-se encontrar apenas subprodutos do sarin, muitas vezes em concentrações que não permitem uma análise incontestável.
No caso do conflito na Síria, há um outro fator que provoca controvérsia: a falta de confiabilidade das fontes. “Essencialmente, todas as amostra vindas da Síria foram coletadas e transferidas de forma que não é possível demonstrar com independência que foram de fato retiradas do local alegado, da forma correta, e que ninguém interferiu nelas durante o transporte”, afirmou Trapp.
Veja casos em que o sarin foi usado:
AP
Passageiros de metrôs afetados por gás sarin são atendidos após ataque em Tóquio (20/3/1995)
- Japão: O mais recente caso reconhecido de utilização de sarin foi em um atentado terrorista ao metrô de Tóquio em 1995. O ataque com sarin lançado pela seita radical Verdade Suprema deixou 12 mortos e outros 5 mil intoxicados. Um ano antes, a seita havia realizado um atentado na cidade de Matsumoto, deixando sete mortos.
- Iraque: O governo de Saddam Hussein (1979-2003) usou o gás sarin em bombas lançadas contra iraquianos da etnia curda. No maior dos ataques, na cidade de Halabja em 1988, estima-se que 5 mil morreram. Acredita-se que Saddam também usou bombas com sarin durante a Guerra do Golfo, em 1991.
AP
Foto fornecida pela ONU mostra funcionário com roupas de proteção inspecionando foguetes com gás sarin no Iraque em outubro de 1991
- Chile: Há acusações de uso do sarin contra dissidentes durante o ditadura do general Augusto Pinochet (1974-1990). Em 2006, seis membros do antigo serviço de inteligência militar foram condenados pela Justiça por usar o sarin para matar um homem que tentou desertar da polícia secreta.
- Antiga Iugoslávia: A antiga república da Iugoslávia produziu uma boa variedade e grandes quantidades de armas químicas, entre elas o sarin. Há alegações de todos os lados: sérvios e croatas acusam o governo bósnio de usar armas químicas contra eles, muçulmanos acusam o governo sérvio de usá-las em refugiados no país, albaneses em Kosovo também dizem ter sido vítimas de ataques do tipo.
- EUA: No início dos anos 50, época da Guerra Fria, EUA e a então União Soviética produziram grandes quantidades de sarin para propósitos militares. A única morte registrada pelo uso do sarin americano, contudo, foi a do engenheiro da Força Aérea Ronald Maddison, de 20 anos, supostamente em um experimento no ano de 1953.
Fonte: Último Segundo

Saiba o que está em jogo para os países do Oriente Médio com a guerra da Síria.

Sob ameaça de sofrer um ataque militar dos EUA  em retaliação a um suposto ataque com armas químicas , o presidente da Síria, Bashar al-Assad, alertou na segunda-feira que uma ofensiva contra o seu país arrisca desatar um conflito regional no "barril de pólvora" do Oriente Médio . Assad não estava exagerando.
Crucial na geopolítica do Oriente Médio por seu peso no mundo árabe e seu papel nos conflitos e tensões regionais, uma ação militar na Síria poderia instigar o envolvimento de outros atores da região no conflito, contrapondo principalmente o regime xiita do Irã, aliado de Assad, e a sunita Arábia Saudita e grupos sectários de vários países.
Entre estes estão os vizinhos Líbano e Iraque, que já são palco do aumento de tensão entre cristãos e muçulmanos e, acima de tudo, entre sunitas e xiitas. Ainda atormentado pela sua guerra civil de 15 anos, o Líbano é palco de ataques sectários entre as duas seitas muçulmanas. Além disso, no país atua o partido e grupo militante xiita Hezbollah, aliado da Síria e do Irã e cuja ascensão política incomoda a Arábia Saudita.
Fonte: Último Segundo.

Em meio a denúncias de espionagem, Obama se encontra com Dilma no G20.

Uma nota divulgada pela Casa Branca diz que a presidente Dilma Rousseff e o presidente americano, Barack Obama, tiveram nesta quinta-feira um encontro antes do jantar durante a cúpula do G20 em São Petersburgo, em meio a denúncias de que conversas da brasileira teriam sido espionadas pela Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos EUA.


AP
Presidente dos EUA, Barack Obama (D), senta-se ao lado de presidente Dilma Rousseff durante início da sessão de trabalho do G20 em São Petersburgo, Rússia


Nenhum detalhe foi divulgado pelo governo dos EUA, mas, anteriormente, Ben Rhodes, vice-assessor de segurança para comunicações estratégicas da presidência americana, havia dito que Obama buscaria no encontro "que os brasileiros tenham um melhor entendimento sobre o que fazemos e o que não fazemos, para entender melhor suas preocupações".
O assessor da Casa Branca disse que Obama explicaria pessoalmente à Dilma "a natureza dos esforços de inteligência" dos EUA. Rhodes disse também que "a relação com o Brasil é muito importante (para os EUA), não apenas nas Américas, mas no mundo".
"Entendemos o quanto isso (a questão de espionagem) é importante para os brasileiros. O que estamos fazendo neste caso, como fizemos desde que as revelações sobre a NSA vieram à tona, é olhar amplamente as alegações e os fatos", agregou o assessor. "Coletamos dados de inteligência sobre praticamente todos os países do mundo. Se há preocupações que possamos esclarecer, faremos isso."
Mal-estar
No último fim de semana, uma reportagem da TV Globo denunciou a existência de documentos secretos, vazados pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden , que mostram que a NSA teria monitorado conversas entre Dilma e seus principais assessores.
As revelações de espionagem causaram mal-estar na relação bilateral e colocaram em dúvida a visita de Estado que Dilma deve fazer aos EUA em outubro. Nesta quinta-feira, o Planalto confirmou que cancelou a ida aos EUA , no sábado, de uma equipe brasileira que faria os preparativos da viagem oficial da presidente.
O governo não confirma se a equipe agendará nova data para a viagem. 
Na segunda-feira, o ministro de Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, classificou o episódio como "uma inadmissível e inaceitável violação da soberania brasileira" e pediu "explicações formais por escrito" - ainda que adotando cautela quanto a eventuais retaliações brasileiras.

A assessoria do vice-presidente americano, Joe Biden, disse que os EUA "continuarão a trabalhar com as autoridades brasileiras" para explicar as denúncias de espionagem e agregou que "o convite para a visita de Estado da presidente Rousseff reflete o interesse dos EUA em aprofundar esse relacionamento vital".
Fonte: Último Segundo.