sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Por que aderir à Europa é ruim para a Ucrânia?

Desde o fim da guerra fria, o Ocidente, representado pela OTAN e pela UE, iniciou sua expansão para a área de influência da antiga URSS. A justificativa oficial baseava-se na hipótese de que a segurança do continente dependeria da implementação de regimes com democracia política e economia de mercado na região, tendo em vista que “democracias não lutam contra democracias” (Há uma corrente em relações internacionais chamada de teoria da paz democrática, que postula que esses regimes criam laços duradouros de paz entre seus vizinhos, fomentados pelo comércio e pelos controles dos civis sobre os militares, entre outros aspectos).

Todavia, na prática, o processo de expansão representou a manutenção das políticas de contenção à URSS aplicadas agora à Rússia, uma vez que esse país foi deixado de fora dos arranjos institucionais pensados pelos ocidentais. Aliada a uma grave crise econômica dos anos 1990, tal exclusão fomentou o anti-ocidentalismo na população russa, sentimento importante para se entender a legitimidade de iniciativas antagônicas aos interesses ocidentais por parte do governo russo.

Agência Efe
Desde a resposta negativa ao acordo com a UE, em novembro de 2013, o país passa por uma onda de protestos

E no meio do caminho tinha a Ucrânia! Desde sua independência a Ucrânia soube se valer de sua posição intermediária e utilizou a Europa e os EUA para contrabalançar a influência russa e a Rússia para contrabalançar a influência dos Ocidentais.

A Rússia e a Ucrânia quase entraram em guerra nos anos 1990 devido aos movimentos separatistas da Criméia e às disputas em torno da base militar de Sevastópol e do arsenal nuclear, ambos legados do período soviético. Nesse período, o apoio dos Europeus e dos norte-americanos foi fundamental para que os ucranianos equilibrassem as relações com a Rússia.
No final dos anos 1990, com a desilusão dos ucranianos a respeito dos pífios resultados econômicos obtidos com o apoio (ou falta de apoio) ocidental, ocorreu uma inflexão pró-Rússia. Os generosos subsídios oferecidos por esse país ao setor energético ucraniano trouxeram conforto para uma elite política que pretendia se manter no poder por meio de práticas condenáveis.

Com a crescente e justificável insatisfação popular em relação à administração Kuchma e a ativa participação de governos ocidentais na Revolução Laranja, inaugurou-se uma nova fase europeia na Ucrânia, tendo Victor Yushenko a frente do país.

Novamente, frente à falta de assertividade da Europa em promover mudanças econômicas no país, o apoio da população ao pró-ocidentalismo do governo esmoreceu e a Ucrânia voltou a ter uma postura mais ponderada, com a eleição democrática de Yanukovich, mais próximo da Rússia. Yanukovich mantinha a clássica postura de barganhar com os dois vizinhos até que os europeus forçaram uma opção unilateral pela Europa.

Os motivos para a postura intransigente da UE não fazem parte do escopo desse texto. O que ocorre hoje é que a Europa está pressionando a Ucrânia para aceitar algumas de suas imposições políticas (a libertação de Yulia Timoshenko, antiga aliada de Yushenko e opositora de Yanukovich) em troca de benefícios econômicos.


Nesses termos, seria impossível à adesão ao acordo de livre comércio com a Europa e o governo da Ucrânia se voltou para a Rússia para neutralizar essa pressão. A redução dos preços da energia vendida pela Rússia para Ucrânia após o anúncio de que a Ucrânia ingressaria na União Euroasiática é um resultado desse jogo de barganhas.

Fonte: Opera Mundi.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Entenda o que está acontecendo na Ucrânia.


Protestos no centro de Kiev já duram semanas. Oposicionistas se rebelam contra a linha pró-Rússia e antieuropeia do governo e se recusam a ceder às intimidações da polícia. 


"O tempo de duração dos protestos de rua em Kiev vai depender somente do governo", profetizou o deputado do partido de oposição Aliança Democrática Ucraniana para a Reforma (Udar), Rostyslav Pavlenko, em entrevista à Deutsche Welle no início de dezembro. 

De fato, até agora as forças de segurança ucranianas fracassaram em todas as tentativas de reprimir os protestos. Apesar do frio congelante, os manifestantes permanecem há vários dias na Praça da Independência, no centro da capital. Eles cantam, oram, erguem barricadas de madeira. Nem as investidas noturnas da polícia nem as ameaças desta puderam expulsá-los até agora. 

Se o presidente Viktor Yanukovytch pensava que iria intimidar os manifestantes com unidades especiais, parece ter calculado mal. "Aqui está sendo decidido o futuro do país", bradou Arseniy Yatsenyuk, do partido da ex-premiê Julia Tymoshenko, à multidão reunida na Praça da Independência nesta quarta-feira (11/12) 

Orientação para o Ocidente 
O que teve início no final de novembro, com protestos contra o acordo de associação fracassado entre a Ucrânia e a União Europeia (UE), tem crescido rumo a um movimento de massa contra o governo do primeiro-ministro Mykola Azarov. O governo cedeu à pressão da Rússia, perdendo assim a chance de levar o país em direção ao Ocidente. A decepção de muitos ucranianos em relação a isso é grande – e se transforma cada vez mais em ira contra toda a liderança governamental. 

Mas o fracasso do acordo com a UE foi apenas a faísca inicial dos protestos, diz Cornelius Ochmann, diretor da Fundação para a Cooperação Polaco-Alemã. "Em minha opinião, na Ucrânia, a sociedade civil é muito mais avançada do que pensamos. As pessoas estão fartas do estilo de governar do presidente e estão aproveitando a oportunidade para expressar a sua insatisfação." 

Os protestos no centro de Kiev são conduzidos e organizados por um Comitê Nacional de Resistência, comandado pelos líderes dos três partidos de oposição: Vitali Klitschko, com seu partido Udar, Oleh Tyahnybok, com o Partido da Liberdade, como também Arseniy Yatsenyuk, com o Partido Pátria, da ex-primeira-ministra Tymoshenko. Além disso, representantes de diversas organizações da sociedade pertencem ao comitê. 

Revoluções do Leste Europeu como modelo 

Rostylav Pavlenko, deputado do Udar, permanece esperançoso de que se encontre uma saída política para a crise. "Caso ela não seja encontrada, vamos manter a pressão pacificamente, até que a situação seja resolvida de uma forma civilizada." 

Segundo o deputado, a oposição ainda teria muitas formas de protesto pacífico na manga, principalmente aquelas usadas em 1989, durante a queda do regime comunista nos países do Leste Europeu e na reunificação da Alemanha. "Aprendemos muito e vamos recorrer a essas formas de protesto. Mas serão todas pacíficas." 

Estrelas pop, como a cantora Ruslana, vencedora do Festival Eurovisão da Canção de 2004, apresentam-se em prol do movimento de protestos. Também filmes estão sendo mostrados em telões espalhados pela Praça da Independência.
As manifestações evidenciam uma determinação que foi subestimada por todas as partes interessadas, tanto em Kiev como também em Moscou e Bruxelas, afirma a especialista Maria Davydchyk, do Conselho Alemão para Relações Internacionais em Berlim (DGAP, na sigla em alemão). "Na parceria do Leste com a UE, o governo ucraniano viu somente uma opção, desde que ela se encaixasse no desenvolvimento político interno", sublinha Davydchyk. 

Por outro lado, embora a UE tenha enviado vários sinais em direção à Ucrânia, "o bloco não mostrou nenhuma estratégia ou instrumentos concretos para a resolução dos verdadeiros problemas do país e da população." Embora a UE defenda negociações entre o governo e a oposição, até agora ela fracassou numa intermediação entre as partes. 

Perda de poder? 

Para o diretor do Instituto Internacional da Democracia em Kiev, Serhiy Taran, a oposição ucraniana é capaz de forçar o governo a fazer concessões. Para isso bastaria manter a intensidade dos protestos, o que seria hoje mais fácil do que durante a Revolução Laranja, há nove anos. Pois, hoje, os manifestantes são muito mais radicais do que naquela época, explica Taran. "As pessoas poderiam ampliar os bloqueios, também à residência do presidente no subúrbio de Meshyhirya, próximo a Kiev." 

Ele se disse convencido de que os atuais protestos já causaram "movimentos tectônicos na política ucraniana". Lentamente, os oligarcas e os chefes dos clãs políticos estariam se convencendo de que Yanukovytch está perdendo o poder. Segundo Taran, esse desenvolvimento enfraqueceria o governo a partir de dentro, o que poderia levar a uma mudança de poder na Ucrânia.

Fonte: Portal DW.

Acordo nuclear iraniano entra em vigor em 20 de janeiro.

Com implementação do pacto acertado com as seis potências globais, Irã interrompe enriquecimento de urânio. Em troca, sanções ao país ficam suspensas.
O acordo alcançado em novembro passado entre o Irã e as grandes potências globais para resolver a disputa sobre o programa nuclear iraniano será implementado a partir do dia 20 de janeiro. O anúncio foi feito neste domingo (12/01) pelo Ministério iraniano do Exterior e confirmado pela União Europeia e pelos Estados Unidos.
O presidente americano, Barack Obama, classificou a aplicação do pacto entre as potências do Grupo 5+1 (formado por Estados Unidos, França, Reino Unido, China e Rússia, além da Alemanha) e o Irã como um "avanço concreto" e prometeu um "alívio modesto" das sanções, caso Teerã realmente mantenha seus compromissos sob o acordo. Em comunicado, Obama deu boas-vindas ao "grande passo".
"Não tenho ilusões sobre o quão difícil será atingir este objetivo, mas pelo bem de nossa segurança nacional e pela paz e segurança no mundo, é hora de dar à diplomacia uma oportunidade de triunfar", disse Obama.
Ele ressaltou que a decisão de hoje "representa pela primeira vez em uma década que a República Islâmica do Irã decidiu tomar ações específicas que contenham o avanço de seu programa nuclear e voltem atrás em partes essenciais" dele.
Araghi afirma que negociações continuam nas próximas semanas
Negociações continuam
O pacto assinado em novembro obriga o Irã a suspender parcialmente seu programa nuclear em troca da suspensão de algumas sanções, além do compromisso do G5+1 de não impor novas medidas restritivas durante um prazo de seis meses.
O vice-ministro iraniano do Exterior, Abbas Araghi, explicou que o país suspenderá, nesta primeira fase, o enriquecimento de urânio a 20%. Em troca terá 4,2 bilhões de dólares desbloqueados, recursos obtidos com a venda de petróleo.
Araghi disse ainda que, em breve, ambas as partes continuarão as negociações, a fim de se chegar a um acordo definitivo na "fase final". Essa nova rodada de conversas poderá começar em duas ou três semanas, disse o ministro.
A fim de evitar novas barreiras para o sucesso das negociações, Obama fez uma advertência ao Senado americano, onde uma lei para aumentar as sanções ao Irã conseguiu quase todos os apoios necessários para aprovação, apesar da oposição da Casa Branca.
"Impor mais sanções agora só faria com que nos arriscássemos a descarrilar nossos esforços para resolver este assunto de forma pacífica, e vetarei qualquer legislação que aprovar novas sanções durante a negociação", ressaltou o presidente americano.
Fonte: Portal DW.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Pacto nuclear representa "rendição" de potências a nosso programa, diz presidente iraniano.

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, disse nesta terça-feira (14/01) que o pacto nuclear de Genebra representa a "rendição" das potências do mundo ocidental perante o Irã. As medidas previstas nas negociações de novembro com EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha devem entrar em vigor na próxima segunda-feira (20/01).
"Sabe o que significa o acordo de Genebra? Significa a rendição das grandes potências do mundo perante a grande nação do Irã", disse Rouhani em discurso durante uma visita à cidade de Ahvaz, na província iraniana do Cuzistão, segundo informou a agência de notícias local Irna. "Significa que as grandes potências aceitaram o direito nuclear do povo do Irã e a ruptura das tirânicas sanções impostas de forma injusta ao pacífico povo iraniano", completou.
Agência Efe
O chanceler iraniano Mohamad Javad Zarif e o presidente do país Hassam Rouhani, em reunião no Azerbaijão, em novembro

As declarações do presidente iraniano representam seu esforço em acalmar os críticos locais do pacto. Para eles, o acordo de Genebra representaria uma ameaça ao direito iraniano de enriquecer urânio para fins pacíficos.
"Vamos regular nossas relações com o mundo segundo os benefícios que isso suponha ao povo do Irã", acrescentou o presidente Rouhani.
Teerã e o Grupo 5+1 (China, Rússia, EUA, Alemanha, França e Reino Unido) assinaram em 24 de novembro, em Genebra, um histórico pacto segundo o qual Teerã se comprometia a suspender as partes mais conflituosas de seu programa nuclear — entre elas, o enriquecimento de urânio acima de 5% — em troca de um levantamento limitado das sanções internacionais. Tudo isso por um prazo de seis meses.
Após a entrada em vigor do acordo, que deverá ocorrer na semana que vem, Irã e o G5+1 se deram um prazo de seis meses para buscar um acordo definitivo que ponha fim a uma década de crise nuclear entre a República Islâmica e o mundo.
Várias potências acusam o Irã de tentar desenvolver armas nucleares, acusação que Teerã rejeita, ao tempo que reivindica seu direito a sustentar um programa nuclear com fins pacíficos sem limites.

Reunião com a AIEA adiada
A reunião entre o Irã e a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) para discutir e esclarecer a natureza do programa nuclear do país foi adiada para 8 de fevereiro. Sem informar o motivo da alteração, a agência de fiscalização nuclear da ONU (Organização das Nações Unidas) confirmou nesta terça-feira (14/01) a prorrogação do encontro, previsto originalmente para a próxima terça, 21 de janeiro.
As negociações entre o Irã e a AIEA são separadas, mas não totalmente, do pacto com as potências mundiais. Também em novembro, o país fechou acordo de cooperação com a agência da ONU delimitando os seis primeiros passos a serem tomados pelo país nos próximos três meses. Uma das medidas concede acesso à AIEA a duas instalações nucleares, além do fornecimento de informações.
Fonte:Opera Mundi.